ATENÇÃO PARA A DIGESTÃO

ATENÇÃO PARA A DIGESTÃO

Se comer virou sinônimo de dor no estômago, está na hora de encarar se você não sofre de algum distúrbio digestivo

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Você sente desconforto ao ingerir algum tipo específico de alimento? Pode ser um sinal do seu corpo para avisar que a sua dieta não está caindo bem e que talvez você esteja entre a parcela da população que sofre de algum tipo de distúrbio digestivo como a intolerância à lactose ou a doença celíaca (intolerância permanente ao glúten).

O problema, que nem sempre é detectado por quem tem, é mais comum do que parece, pois segundo dados da Associação Médica Brasileira hoje os doente celíacos já estão em quase quatro milhões de brasileiros e 43% da população possui algum tipo de intolerância ao leite.

Para identificar se algum desses distúrbios afeta o seu organismo, vale a pena conferir o que são essas doenças e de que forma é possível tratá-las.

INTOLERÂNCIA À LACTOSE

O que é intolerância à lactose?

Segundo a médica gastroenterologista joinvilense, Dra. Ligia da Rosa, a intolerância à lactose é uma condição clínica caracterizada por um ou mais dos seguintes sintomas: dor abdominal, diarréia, náusea, flatulência e distensão abdominal que ocorrem após ingestão da lactose, principal açúcar do leite.

Quais são as causas?

A intolerância à lactose é causada por graus variados de deficiência ou ausência da enzima lactase, que é produzida nas células da mucosa do intestino delgado e responsável pela quebra da lactose em glicose e galactose, que são as formas absorvíveis pelo organismo. “Consequentemente, a ausência ou diminuição da lactase intestinal não permite que a lactose seja quebrada e posteriormente absorvida pelo organismo”, afirma a gastroenterologista.

Níveis de intolerância à lactose:

Primário: É a forma mais comum. Após o nascimento a produção de lactase ocorre de forma abundante, pois o leite é a principal fonte de nutrição. Geralmente, a quantidade de lactase vai diminuindo conforme a pessoa envelhece. Com o tempo, esse declínio na produção de lactase pode levar a um quadro de intolerância à lactose.

Secundário: Ocorre quando o intestino delgado deixa de produzir a quantidade esperada de lactase devido alguma doença, cirurgia ou injúria local. Doença celíaca, Doença de Crohn, gastroenterite e supercrescimento bacteriano do intestino delgado, são alguns exemplos de doenças que podem levar a um quadro de intolerância à lactose secundária.

Congênito: É uma condição rara. Ocorre como herança autossômica recessiva. Nestes casos, os sintomas relacionados à ingestão de lactose podem iniciar nos primeiros meses de vida.

Como diagnosticar?

Após suspeita clínica, a investigação inclui uma ou mais provas funcionais, como teste oral de tolerância à lactose ou teste de hidrogênio expirado.

“No teste oral, o paciente ingere uma determinada quantidade de lactose e o aumento na glicemia é acompanhado durante algumas horas. A elevação da glicemia menor que 20 mg/dL pode indicar deficiência da enzima lactase”, explica Ligia.

Da mesma forma, no teste do hidrogênio expirado, o paciente também ingere uma determinada quantidade de lactose e é acompanhado durante algumas horas. “Quando a elevação da expiração de hidrogênio for maior que 20 ppm, pode indicar intolerância à lactose”, revela  a médica.

É possível prevenir o problema?

“Infelizmente ainda não há uma maneira conhecida de se prevenir a intolerância à lactose. Apenas uma dieta com redução de produtos lácteos pode prevenir os sintomas relacionados à intolerância. Além disso, nos casos de intolerância secundária à lactose o tratamento adequado da doença de base pode prevenir os sintomas”.

Como conviver e tratar o problema?

O tratamento da intolerância à lactose está baseado na restrição dietética de produtos que contenham lactose. Atualmente, existem diversas opções de alimentos com ausência ou redução do teor de lactose no mercado e até mesmo casas especializadas em produtos para intolerantes ou alérgicos alimentares, facilitando o convívio com o quadro. Pode também, ser realizada reposição enzimática com preparados de lactase, que possuem efeito variável de acordo com a quantidade de lactose ingerida na dieta e o grau de intolerância. Mesmo com tantos avanços na indústria e comércio de produtos para intolerantes e alérgicos alimentares, ainda temos muito a evoluir em termos de inclusão alimentar. Não podemos esquecer, também, da suplementação de cálcio na dieta, já que o leite é fonte importante desse mineral. Alimentos como brócolis, couve, agrião, couve-flor, espinafre, feijão, ervilha, tofu, salmão, sardinha, marisco, amêndoas, nozes, gergelim e ovo funcionam como fontes de cálcio na dieta.

Qual a diferença entre intolerância e alergia? Existe alergia a lactose?

Alergia a proteína do leite de vaca (APLV) não é o mesmo que intolerância à lactose. Enquanto na intolerância à lactose existe dificuldade na digestão e absorção da lactose (açúcar do leite), na APLV, existe reação do sistema imunológico do organismo às proteínas do leite de vaca (caseína, alfa-lactoalbumina, beta-lactoglobulina). A expressão “alergia à lactose” é incorreta e não existe, pois a alergia é uma reação à proteína e a lactose é um açúcar. Portanto, os produtos isentos de lactose (lacfree, sem lactose, 0% lactose) não são indicados para pacientes com alergia à proteína do leite de vaca. Outra diferença importante entre APLV E intolerância à lactose é que a alergia se manifesta principalmente em bebês e crianças pequenas, enquanto a intolerância à lactose, em adultos e idosos.

DOENÇA CELÍACA x INTOLERÂNCIA AO GLÚTEN

Dra. Lígia define a doença celíaca como uma doença intestinal crônica, de caráter auto-imune, causada pela ingestão de glúten, presente em cereais como cevada, centeio e trigo e em indivíduos geneticamente predispostos. “Quando o celíaco ingere glúten, mesmo que em quantidades mínimas, o organismo produz anticorpos contra si mesmo, no caso, contra o intestino delgado, gerando danos à mucosa intestinal, levando a atrofia das vilosidades, má absorção de nutrientes e, consequentemente, a uma variedade de manifestações clínicas, como diarréia, distensão abdominal, anemias carenciais etc”.

Embora possam apresentar sintomas semelhantes, a gastroenterologista esclarece que a doença celíaca e a chamada intolerância ao glúten são condições distintas. “Enquanto na doença celíaca ocorre https://www.viagrasansordonnancefr.com/viagra-ou-cialis/ produção de anticorpos contra o intestino delgado com consequente destruição local, na intolerância ou sensibilidade, há apenas dificuldade na digestão do glúten, sem ativação do sistema imune”, especifica.

Como diagnosticar a doença?

Após a suspeição clínica da doença celíaca, que pode ter manifestações não só gastrointestinais clássicas como diarréia, dor abdominal e distensão abdominal, mas também manifestações gastrointestinais atípicas, além de quadros dermatológicos (dermatite herpetiforme), hepáticos, neurológicos e endocrinológicos, por exemplo, realizam-se testes sorológicos (antitrasnglutaminase ou antiendomísio). Apesar dos testes sorológicos apresentarem alta acurácia diagnóstica, apenas a biopsia intestinal realizada através de endoscopia digestiva alta é capaz de estabelecer o diagnóstico de doença celíaca.

“É importante salientar que tanto a presença de anticorpos quanto a alteração da mucosa intestinal na biópsia melhoram após a retirada do glúten da dieta, não sendo, portanto, recomendada dieta sem glúten antes de orientação médica”, informa a médica.

Como conviver e tratar a doença celíaca?

Dra. Ligia ressalta que a dieta sem glúten é o único tratamento possível para a Doença Celíaca. “Além de não consumir glúten, o celíaco deve tomar cuidado com a contaminação dos alimentos, pois mesmo traços de glúten podem gerar lesão intestinal e desencadear sintomas. Não é recomendado que celíacos realizem suas refeições em restaurantes, por exemplo.”

Cuidados importantes:

Preparação dos alimentos: Orienta-se separar os produtos que contém glúten dos que não contém e proceder limpeza adequada dos utensílios. “pois quando utilizados para manuseio e preparação de produtos com glúten, esses poderão contaminar alimentos sem glúten”.

Dieta: apesar de parecer complicada no início, a dieta sem glúten, no paciente diagnosticado com doença celíaca, é extremamente importante. “Já há comprovação que a Doença Celíaca não tratada tem alta morbimortalidade (número de casos de enfermidade/morte x número de pessoas) e mais complicações como anemia, infertilidade, osteoporose, e câncer (linfoma intestinal) quando  não ocorre aderência a dieta sem glúten. Existem grupos de apoio como a Associação dos Celíacos do Brasil (ACELBRA), por exemplo, que promovem palestras e orientações para os pacientes celíacos, ajudando a conviver com a doença e a importância de manter a dieta sem glúten”.

Existe alergia ao glúten?

Diferente da doença celíaca, a alergia ao trigo é desencadeada não só pela ingestão de comidas e bebidas que contém o trigo como ingrediente, mas também pela inalação e pode afetar a pele, o sistema respiratório e o intestino. “Alguns dos sintomas da alergia ao trigo são parecidos com os da doença celíaca, como dor abdominal ou diarréia, a diferença é que enquanto a doença celíaca prejudica gradualmente o intestino, a alergia ao trigo costuma ter sintomas mais precoces após sua ingestão. Em casos mais graves a alergia ao trigo pode levar ao fechamento da glote e à anafilaxia, uma reação que pode ser fatal. Assim como na Doença Celíaca, o tratamento da alergia ao trigo se baseia em dieta de restrição”, finaliza Ligia.

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