Histórias de quem fez história

Histórias de quem fez história

Em conversa com a Premier, o empresário Moacir Thomazi comenta sua trajetória em Joinville e fala sobre associativismo e o trabalho nas entidades da cidade.

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Mais que um contador de histórias, o empresário Moacir Thomazi, 71 anos, foi um construtor da trajetória do segmento empresarial de Joinville.

Natural da cidade de São João Batista, próxima da capital Florianópolis, desde que chegou a Joinville, em 1970, Thomazi se tornou parte da história do Município. Com uma carreira já estabelecida na Secretaria de Educação do Estado durante a década de 70, ele veio até a cidade para reorganizar a Inspetoria Regional da Educação, mas acabou ficando. “Minha última sindicância foi em Joinville e eu acabei me estabelecendo por aqui. Não encontramos ninguém na cidade para ser Inspetor Regional de Educação e eu acabei ficando para suprir esse função. Isso foi em 5 de maio de 1970 e estou aqui até hoje”.

De lá para cá muita coisa mudou. Hoje, ele é presidente do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville e membro ativo da diretoria da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), concorrendo inclusive pela segunda vez a presidente da entidade. “Me ‘sacaneram’ de novo e me indicaram para candidato novamente… (risos). Eu falei para o [João] Martinelli que a comunidade espera que haja renovação, mas ainda não conseguimos isso totalmente. Então estou na roda novamente”.

A frente do jornal A Notícia

Antes de ingressar na ACIJ, Thomazi já tinha participação ativa em parte do que acontecia na cidade. Como diretor-presidente do jornal A Notícia durante 29 anos, ele esteve envolvido na reestruturação do veículo na década de 1980 e acompanhou cada momento em diante até a venda para o Grupo RBS em 2006. “Quando ingressei no AN, ele tinha perdido o ‘ bonde da modernização’. A maioria dos outros jornais do estado já tinha o sistema off-set e o nosso jornal estava ficando para trás, dando cada vez mais prejuízo”, lembra o empresário.

Thomazi, que era genro do ex-prefeito Helmuth Fallgatter, foi convidado pelo sogro a assumir em 1978 a função de diretor do jornal e avaliar se valia a pena manter o veículo. “Como nessa época eu já tinha me afastado da educação, o meu sogro – que era quem detinha o controle acionário do AN, pediu para eu passar um mês no jornal para ver o que poderia ser feito: se poderia reverter a situação ou se era o caso de botar as contas em dia e fechar de uma vez”, conta ele.

O empresário recorda como era o ambiente de jornal quando ingressou. “Na época o jornal ficava na Rua Abdon Batista e tinha somente um único telefone. A distribuição era feita com uma Kombi e era uma brasília que atendia a diretoria”. Mesmo com a situação precária, o empresário se sentiu motivado a tentar uma mudança. “Eu não sei se me empolguei com aquilo, com as pessoas e o trabalho, mas acreditei que ainda havia espaço para se investir e crescer com o jornal. Fiz um diagnóstico e levei para uma reunião com os acionistas e eles resolveram que valia a pena investir”, relata.

Thomazi afirma que investir significou recomeçar a estrutura do jornal do zero. “Para começar, mudamos a sede, já que o local onde nós estávamos não era adequado, então tivemos que fazer os projetos de mudança e construção. Esse processo todo demorou dois anos”.
A empreitada acabou dando certo, já que depois de alguns anos o veículo chegou a se tornar o primeiro jornal do Brasil totalmente informatizado e reconhecido por sua qualidade gráfica e distribuição. “No começo circulávamos em Joinville, Florianópolis e muito precariamente em São Bento do Sul. Passamos então a circular em 18 cidades do estado. Ganhamos também muitos prêmios, sendo que tem um que eu me orgulho muito: o prêmio Fernando Pini de Excelência Gráfica”.

O empresário revela que o reconhecimento era tanto que engenheiros do jornal O Globo chegaram a visitar o veículo para aprender sobre o processo de impressão. “Eles queriam entender como um jornal pequeno como o nosso conseguia fazer um produto graficamente melhor que o deles e ainda com um equipamento infinitamente inferior”.

A dedicação e a preocupação com a qualidade permaneceram até os últimos anos da gestão de Thomazi. “Nos últimos cinco anos antes da venda do jornal fomos finalistas do prêmio. O AN é o único jornal do Brasil que foi finalista em cinco edições consecutivas do prêmio, tendo ganhado três vezes. E isso porque sempre competimos com jornais como Folha, Estadão e O Globo”, declara.

Mesmo a frente do jornal A Notícia, Thomazi nunca se desvinculou da vida pública. Sempre em contato com políticos e pessoas ligadas ao governo municipal e estadual, ele acabou sendo requisitado em duas gestões para retornar a área de educação. A primeira foi no governo Esperidião Amin, de 1983 a 1987, como Secretário Estadual de Educação. “Quando o Esperidião se elegeu governador pela primeira vez, ele me convidou para ser secretário da educação do Estado. Como nós já tínhamos trabalhado juntos na educação durante o governo Ivo Silveira (1966-1971), não tive como negar. Fui secretário durante os quatro anos do mandato dele”.
A segunda vez como secretário de educação foi durante a gestão do Prefeito Joinvilense Luiz Gomes, durante o período de 1989 a 1992. “Auxiliei na campanha do Luiz Gomes para prefeito de Joinville e acabei sendo Secretário de Educação do Município. Nesse meio tempo, continuei com o trabalho no AN e fui eleito presidente do Fórum Nacional dos Secretários, um órgão que congrega os secretários da educação de todos os estados ainda hoje”.
Na função de presidente do Fórum Nacional dos Secretários, Thomazi exerceu um papel primordial: “Levei para a ministra Ester de Figueiredo Ferraz, durante o governo do general João Figueiredo (1979-1995), o projeto para a descentralização da merenda escolar. A ministra acabou aprovando e o dinheiro passou a vir para os estados poderem comprar os produtos da merenda com produtores locais”.

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Relação como associativismo

Em paralelo a função de diretor do AN e a vida pública, Thomazi ainda encontrou tempo para se envolver com o associativismo. “Desde o começo da ACIJ, eu já participava da entidade. No início não com muita regularidade, mas ia sempre que podia. Foi quando me convidaram para ser parte da diretoria durante a gestão do Albano Schmidt, entre 1997 a 1999, que eu me envolvi de vez. Seis meses depois, fui escolhido para ser o próximo presidente”.

A primeira tarefa de Thomazi como diretor da Associação Empresarial de Joinville foi a renovação da marca da entidade. “Ainda na gestão do Albano, fiquei responsável por mudar o logotipo da ACIJ. Eu assumi a tarefa e foi aprovado o logotipo que é o que existe até hoje”.
Durante a gestão de Thomazi como presidente, que ocorreu de junho de 1999 a junho de 2001, a palavra de ordem foi organização. “Na época a ACIJ não era como é hoje. Colocamos ordem na casa. Profissionalizamos tudo, demitimos pessoas, contratamos outras, implantamos sistemas de controle e, por fim, começamos a crescer”.

Em 1999, a entidade não tinha o tamanho que possui hoje, mas segundo Thomazi já demonstrava que precisava crescer mais. “Quando presidente, o Albano já tinha percebido que o lugar onde a ACIJ estava – uma sala do Edifício Manchester, não era adequado. Então ele e o restante da diretoria decidiram construir uma nova sede. Criaram então um fundo para que 10% da arrecadação dos associados fosse direcionado a esse projeto”.

Quando Thomazi assumiu a presidência, quase um ano após a arrecadação para o fundo da nova sede, o empresário decidiu que era hora de iniciar o projeto. “Precisávamos de um terreno para o novo prédio, então construí uma engenharia financeira para trocar o prédio onde ficava o Centro de Biotecnologia, que era da ACIJ, por um terreno que fosse da prefeitura”.

Com o apoio do então prefeito, Luis Henrique da Silveira e a parceria do empresário Baltazar Buschle, Thomazi conseguiu negociar uma espécie de permuta com a prefeitura para obter o terreno da nova sede, que seria doado por outro empresário em troca de créditos para o IPTU. “A ideia era fazer uma permuta, mas não há no serviço público a figura da permuta, então o Luis Henrique instituiu uma lei que autorizasse a Prefeitura a doar e a receber imóveis. Esse projeto foi para a câmera e eu tive que falar com cada um dos vereadores e explicar o que precisava ser feito”, relata.
Após a obtenção do terreno, era hora de levantar o restante da verba para a construção do novo prédio. “A equação financeira para a construção envolvia alguns fatores: o valor já arrecadado pelo fundo de 10%, a venda de salas no novo prédio, um empréstimo no BRDE que coubesse dentro do valor arrecadado pelo fundo para pagar a prestação e a dupla mensalidade”.
A dupla mensalidade foi instituída por Thomazi como uma contribuição espontânea dos associados. “Enviamos uma cartinha aos associados e pagava quem quisesse. Para garantir que conseguíssemos ao menos uns 50 mil reais, eu visitei os 16 principais associados e falei com cada um para garantir a adesão. Todos aderiram e lançamos a campanha. Deu mais ou menos 74 mil de mensalidade, com a adesão de 300 sócios no total”, afirma.

Agora em 2016 a sede conquistada pela gestão de Thomazi comemora 10 anos de existência. “O prédio vai completar 10 anos no dia 06/06/2016, mesma data da eleição da nova gestão. Iniciamos a construção em 2004 no dia 04/04 e inauguramos a nova sede no dia 06/06/2006, dois anos, dois meses e dois dias depois”.

Para o candidato pela segunda vez a presidência da ACIJ, hoje a entidade está bem estabelecida e tem participação ativa nas questões políticas e sociais da cidade. “Não só a ACIJ, mas Ajorpeme, CDL e ACOMAC, entidades muito participativas, que se envolvem com as questões da cidade e estão sempre muito atentas a tudo que acontece.”

Caso assuma a presidência, Thomazi afirma que terá o foco na manutenção da representatividade da entidade. “Vamos continuar trabalhando para ampliar o número de associados, pois eu venho dizendo há mais de 10 anos que a ACIJ é muito maior de fora para dentro. Nós que estamos dentro vemos menos o potencial da entidade do que quem está de fora. Então é importante que essa representatividade seja mantida e, na medida do possível, seja ampliada”.

Trabalho na Associação dos Bombeiros Voluntários

Desde 1998, o empresário também ocupa o cargo de presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Joinville. Em seus mandatos, Thomazi se destacou, entre outras coisas, por ter conseguido a aquisição de uma plataforma elevatória importada da Finlândia, com alcance de 54 metros, até hoje a única existente nos três estados do sul do País. “Eu gosto de desafios, então antes de iniciar na entidade eu pedi para a diretoria fazer uma lista de prioridades com os desejos da corporação. O primeiro era um bem ‘pequeninho’: essa plataforma elevatória que custou 1,3 milhão de euros (risos). Mas fomos lá e demos um jeito”, revela bem humorado.

Depois de quase oito anos a frente do cargo, Thomazi acredita que seu trabalho na entidade está perto de estar concluído. “Estou trabalhando pela construção do prédio novo do Corpo dos Bombeiros Voluntários e sei que esse é um grande desafio, mas quando ele ficar pronto acho que finalmente vou pra casa. Vou cuidar das minhas coisas…”, conta entre risos, sem confirmar se irá realmente se aposentar da função ou não.

Palavras de quem sabe

Com uma vasta experiência em áreas como educação e gestão empresarial, o empresário ainda se dedica a administrar outras três empresas das quais é sócio: Vip Invest, Agroflorestal e La Fontaine. Tanto trabalho se reflete em sabedoria, que ele faz questão de compartilhar: “Quer ser bem sucedido? Então se dedique. É aquela velha máxima: o trabalho bem feito significa muito mais transpiração do que inspiração. Eu não conheço nenhum empresário que tenha trabalhado muito e tenha se saído mal. As empresa de Joinville são exemplo disso”.

Para finalizar, Thomazi deixar um último conselho: “Procure se instruir, principalmente porque hoje você precisa estar muito mais atualizado do que no passado. No meu tempo as coisas mudavam a cada 90 dias, hoje mudam a cada 90 segundos. Então descubra qual é a sua vocação e trabalhe bastante, com foco. Se você fizer isso e ainda correr atrás para se atualizar, a chance é de quase 100% de sucesso”, conclui.sovetneg водонагреватель термекс 50 литровалександр лобановский компромат видеокамеру купитьметоды продвижения сайтов в интернетекол-во запросов в googleпалатка киевкак нарисоватьинтернет магазины для новорожденных

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