Do cinza ao ouro

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Nasceu discretamente o amor pela arquitetura. Sem uma dúvida sequer sobre a carreira, já na primeira infância brincava com maquetes e dizia que eram “apartamentos modernos”. Tufi Mousse é hoje um dos arquitetos mais atuantes em nossa cidade, assinando, pelo terceiro ano consecutivo, um projeto para a CASA COR Santa Catarina em Florianópolis

 

Por Marcela Mayrinck  Fotos Pablo Teixeira e Sidney Kair

 

Com a compreensão de equilíbrio e proporção muito aguçados desde a infância, Tufi intercalava suas horas de estudo e tarefas escolares ao maior ou, quem sabe, único passatempo que lhe proporcionava prazer, criar maquetes ou miniaturas de casas e prédios. Aos 15 anos perguntou para sua irmã qual era o nome da profissão que trabalhava com desenvolvimento de projetos de casas e móveis, e, ao descobrir que era Arquitetura, se ingressou, anos mais tarde, na faculdade de Arquitetura e Urbanismo.
Filho do meio, cujos irmãos escolheram áreas distintas, dizia ao seu pai que era o único que estava retornando às origens da família, seguindo os passos do avô, que foi escultor e artista.  Isto é, não levaria à frente a loja de seu pai nem os negócios da família. Ótima desculpa para quem iria cursar Arquitetura numa época em que a profissão era pouco promissora. Como todo proprietário de loja, seu pai também era libanês e nunca disse não, mas se preocupava quanto à área profissional escolhida pelo filho. Preocupação esta que deixava de existir quando sua mãe dizia para ele que o importante era fazer o que gostava.

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Sofá Natuzzi Itália – Artezanalle
Mesa de centro – Artefacto Curitiba
Porcelanato Gardênia – Di Fatto
Persiana Unilux – Revestire
Poltrona – Sierra Móveis
Tapete – By Keila Menezes

 
“Ter bons parceiros conosco em uma exposição de nível nacional, como a Casa Cor, mostra que nosso mercado está forte, atual e, quem sabe, à frente”

Dia a dia
Pode-se dizer que Tufi está tranquilamente em movimento, pois tem a semana sempre completa de compromissos, tais como reuniões com clientes, fornecedores e visitas em obras. Muito ágil e prático em suas decisões, conta que nunca teve paciência para ficar numa sala de aula. “Entendo a importância dos conceitos como base, da teoria e todo o conjunto de conhecimento que forma um profissional, cumpri esta etapa. Mas considero o conhecimento e a prática do dia a dia a melhor pós-graduação, na qual você se transforma em profissional e aprende a lidar com o sentimento das pessoas, do cliente, do operário de obra e do especificador da loja. Constrói, com o tempo, um acervo de idéias e metodologias próprias e coerentes. Aprende que nem sempre será o melhor projeto aceito pelo cliente, e que o cliente também tem razão.” Com 15 anos de profissão compreende que, como todas as áreas, a arquitetura requer muita responsabilidade e sensatez.

 

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“É um prazer imenso conviver com pessoas que se tornaram tão próximas a ponto de nos deixar decidir por muitos detalhes delicados, simplesmente pelo fato de confiarem no nosso trabalho”
Formado pela Universidade Federal de Santa Catarina no ano de 1999, Tufi Mousse trabalhou no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) durante a faculdade e se sente orgulhoso por isso: “Minha paixão pela memória e o valor cultural da cidade nasceram com este estágio, em que trabalhei por quase três anos”. Conta que o valor às raízes e a preocupação com a conservação histórica do município o deixam muitas vezes aborrecido e frustrado, inclusive consigo mesmo, pois questiona o que fazer para gerar consciência da necessidade da memória das cidades.
O arquiteto deixa claro também que ama o lugar onde vive e trabalha. Seu escritório está instalado numa propriedade construída pelo seu pai em 1960 e embora hoje transformada internamente, modernizada e adequada aos sistemas atuais, preserva a originalidade da arquitetura externa, sutil e discreta, exatamente como quer que o escritório seja visto. “Entendo a necessidade de me destacar profissionalmente e sei que isto pode ser feito de várias formas. Meu espaço de trabalho e, principalmente, minha casa, foram feitos para me proporcionar conforto, familiaridade e praticidade, assim como para minha equipe de trabalho, meus clientes e amigos”. Tufi afirma que este posicionamento profissional transforma seu escritório e sua casa em um refúgio ideal para a vida caótica e o trabalho semanal intenso.

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A casa para viver
Embora tenhamos percebido que Tufi é funcional e prático, ao conhecer sua casa nos deparamos com uma certa “bagunça”. Pilhas de livros, CDs (ele ainda adquire CD´s ), DVDs, e como, se não bastasse, as maquetes de casas em Lego já montadas e uma fila de espera, com mais caixas ainda por montar. Observamos também paredes repletas de pinturas e gravuras vindas das viagens já realizadas. “A frase é conhecida e uma cliente vai gostar muito de vê-la aqui: ‘Amo Muito Tudo Isso!’. Procuro, a cada etapa de minha vida, realizar meus sonhos. Acredito que a realização deva ser constante e não um título alcançado. Minha forma de viver é uma realização, da mesma maneira que minha forma de morar e trabalhar o são”, diz o arquiteto, enquanto completa: “Mas amanhã pode não ser mais”.

 

“Acredito que a realização deva ser constante e não um título alcançado. Minha forma de viver é uma realização, da mesma maneira que minha forma de morar e trabalhar o são”

 

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O escritório para se realizar
Segundo Tufi, a busca pela realização profissional vem com muito esforço, através de uma série de dificuldades, barreiras ultrapassadas e outras bem contornadas, mas, principalmente, através do tempo. “O melhor está enquanto não chegamos”, afirma, dizendo que ainda não é um arquiteto jovem, mas sim um jovem arquiteto. “No próximo ano quem sabe poderei me considerar um arquiteto jovem, aos 40 anos”, brinca, completamente despretensioso.
Com relação aos clientes, conta que gosta da fidelidade e da parceria honesta e saudável. Prova disso é que o arquiteto ainda trabalha para o primeiro, para o segundo e também para o terceiro cliente… “É um prazer imenso conviver, ao passar dos anos, com pessoas que se tornaram tão próximas, a ponto de nos deixar decidir por muitos detalhes delicados, simplesmente pelo fato de confiarem”, comemora Tufi.

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Para alcançar tanto sucesso, nota-se que o bom gosto de Tufi, um dos requisitos fundamentais nesta área, é indiscutível, assim como o que sua equipe desenvolve nos projetos. Com produção alinhada e projetos sofisticados, as designers Camila Monteiro Lopes e Bruna de Mira Narloch ainda muito jovens captaram o processo criativo do arquiteto e hoje são responsáveis pelo desenvolvimento dos trabalhos. Nádia Tomazelli Müller, parceira nos projetos, soma ao escritório, além de conhecimento, uma linha de criação autêntica e arrojada, como define o profissional.
Outro ponto que favorece a qualidade do trabalho da Tufi Mousse Arquitetura é a busca constante por atualização e as participações em feiras e mostras, que fazem parte da sua rotina de planejamento. Um exemplo está na visita anual feita à feira de móveis em Milão, a “ISalone”, que acontece sempre no mês de abril. Suas designers Camila e Nádia acompanharam Tufi Mousse nesta última edição. Ele diz considerar importante que o grupo esteja conectado: “Poder estar com a equipe em uma feira e, juntos, participarmos desta atualização, é muito enriquecedor”. E assim notamos uma dinâmica e envolvimento na forma, na ideia e no método de trabalho.

 

A classe do cinza
Já considerado um dos melhores ambientes desta edição, o Living não tem mais que 90 metros quadrados. Em linhas contemporâneas, faz as honras da marca de seu trabalho e estilo, e em linhas puras e assimétricas recria uma sala de estar dos anos 60 com a mesma originalidade e sutileza de seus projetos contemporâneos. E, como o próprio responsável faz questão de explicar, não se trata de uma cópia da sala de estar da infância, mas sim de memórias bem vívidas que fizeram despertar sua sensibilidade pela arquitetura. É assim que Tufi define seu ambiente na Casa Cor Santa Catarina 2014. “Concebi arquitetura para este projeto de interiores, ou seja, quis privilegiar o espaço e o criei onde não existia”, explica Tufi, que alterou as paredes originais e fez nichos e “cantos”, proporcionando assim, uma série de distrações para o cômodo. As formas da arquitetura se transformaram nos móveis e, com poucos complementos, o Living se definiu. “A arquitetura, além da contemplação, tem que fazer parte da vida doméstica”, afirma.
Quanto ao despojamento na arquitetura e coerência estética, o profissional desenvolveu seu espaço dentro da linha arquitetônica minimalista, deixando os maximalismos para os detalhes e decoração. Na disposição da sala, podem-se identificar quatro áreas distintas que envolvem o móvel principal, o sofá, o hall de acesso ao ambiente seguido pelo bar, o som e uma biblioteca.
Gesso, marcenaria e revestimento foram os pontos de partida para a execução deste projeto. O ambiente é rodeado com painéis laqueados e prateleiras com acabamento em laca piano. Nichos espelhados conferem amplitude e aconchego ao espaço. Movelaria nacional alinhada e elegante, assim como os sofisticados estofados italianos, completam o projeto que é repleto de luminárias e conta com o melhor do áudio. Objetos, livros e adornos dão o toque casual ao espaço.
Projeto luminotécnico
A decoração é dosada e cada umas das peças respira em seu próprio espaço. Envolvente e com projeto luminotécnico ao estilo do arquiteto, abajures, luminária de chão e movelaria iluminam a sala de estar que não possui ponto de luz algum no teto.

 

Do cinza ao ouro
Tufi concebeu o espaço de forma serena, sóbria e em tons de cinza. Só depois incluiu as obras de arte, cuidando para que o Living não se tornasse uma versão museu de arte contemporânea ou acumulação gratuita. Ele garante que escolheu apenas peças que lhe digam algo. Todas pertencem ao seu acervo pessoal e do escritório, e têm certa sensibilidade e graciosidade em comum, segundo o arquiteto. O espaço é definido como sofisticado, urbano e funcional, garantindo o conceito proposto e creditando mais uma vez a qualidade do projeto para a Casa Cor.

 

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A seriedade dos fornecedores
Este é o momento em que, de acordo com Tufi, se entende melhor ainda a amplitude da parceria. O profissional conta que sempre aposta em empresas fortes, nomes bem registrados e conhecidos em nossa região. “Tê-los conosco em uma exposição de nível nacional, como a Casa Cor, mostra que nosso mercado está forte, atual e, quem sabe, à frente. Apresentamos, na Casa Cor, revestimentos, movelaria e áudio de qualidade que ainda são, para muitas pessoas, desconhecidos. Isto nos deixa felizes pois somos os primeiros a apresentar soluções e estética que realmente se diferenciam. Tudo isso somado à responsabilidade de fazer com que esteja 100% pronto para o dia da abertura, afinal, atrasos e desculpas não são aceitos.”

 

 

 

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Ping-Pong
Uma frase:  Nossa vida tem que ser projetada de dentro para fora. A beleza da fachada não se sustenta com a falta de amor-próprio.
Um livro: Puro, de Andrew Miller
Uma cantora: Natalie Merchant
Um hobby: Lego
Uma cidade: Beirute
Uma viagem: Chicago
Um amor: Paris
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