Cuidado com a dor!

Cuidado com a dor!

O fisioterapeuta e especialista em coluna vertebral, Dr. Johny Jablonski, alerta para os sinais e diz que quase sempre a dor não é só um sintoma do dia a dia puxado.

234
0
COMPARTILHE

Você com certeza já sentiu alguma dessas dores: na coluna após carregar mais peso do que está acostumado, nas pernas após uma caminhada mais prolongada ou em alguma outra região muscular após uma noite mal dormida. Pois é, isso é algo ainda mais comum do que se imagina. Segundo o fisioterapeuta, especialista em coluna vertebral e responsável geral pela clínica Fisiothera em Joinville e Balneário Camboriú, Dr. Johny William Jablonski, 90% das dores articulares do corpo humano são mecânicas.

Dor mecânica

Jablonski explica que uma dor mecânica é um desequilíbrio do corpo, que faz que certa região opere mais e de maneira inadequada. “É algo que deveria estar num eixo e está fora dele. É como quando uma pessoa pisa torto no sapato e gasta mais a sola de um lado do que no outro. Este desequilíbrio, que aumenta a pressão e destrói a sola de um lado é o que a gente faz todos os dias com a coluna”, afirma.

O fisioterapeuta diz que o problema acontece com mais frequência em regiões como ombro, quadril, joelho e tornozelo, mas que por uma série de hábitos incorretos pode surgir em qualquer área do corpo. “O ser humano tem uma disciplina perfeita para o erro. Todos os dias a gente deita errado, acorda errado, senta errado, come errado e por aí vai”. Para Jablonski, da mesma forma que o problema surge, ele deve ser tratado: “Se 90% dos problemas articulares são mecânicos, o tratamento também deve ser mecânico”.

O fisioterapeuta garante que essa recomendação é importante, principalmente, para desmitificar a questão da automedicação ou da medicação com objetivo exclusivo de sanar a dor. “Estamos acostumados com o tratamento químico. Você sente dor e vai ao médico pedindo a ele para simplesmente reduzir o sintoma, quando, na verdade, o que temos que fazer é identificar o problema e tratá-lo para que não surja novamente”.

Hábitos e fisioterapia

Jablonski também acredita que o primeiro passo para iniciar o tratamento é identificar os hábitos que prejudicam a saúde e trabalhar para modificá-los. “Não existe uma forma diferente de manter um corpo saudável estruturalmente. Se nós não mudarmos os nossos hábitos e comportamentos, vamos comprometer o processo interno e metabolicamente também vamos ficar alterados”, pondera.

Tendo em mente a iniciação em novos hábitos, o paciente pode contar com a fisioterapia para tratar as dores e auxiliar numa nova rotina mais saudável. “Vamos identificar juntos, profissional e paciente de onde a dor veio. Do pé? Do joelho? Do fígado? Da coluna cervical? Das costas? Do cotovelo? Temos que entender onde começa o problema pra evitar que essa dor se repita”, garante o fisioterapeuta.

Durante o tratamento, é importante também atentar para questão da faixa etária e das repercussões de um problema de postura em cada idade. “Mudar um hábito aos 40 é uma coisa, aos 20 é outra e aos 60 também é outra. Então, o quanto antes a gente entender que para ter uma boa saúde física e emocional nós precisamos de hábitos mais saudáveis, melhor”.

Sem desculpas

Jablonski explica em cada idade existem estratégias para melhorar os hábitos, mas que também é preciso parar de culpar apenas um evento isolado como causa dos problemas articulares. “A gente usa dos traumas e das sobrecargas como premissa primária das dores… Foi aquele acidente, foi aquele trabalho, foi aquela viagem, aquele trauma que eu tive, o estresse do dia a dia. As pessoas costuma acreditar que são esses os grandes vilões das nossas doenças, mas não são. Claro que um trauma vai deixar uma sequela, mesmo que pequena, mas não é o trauma o grande problema, mas sim a repetição constante dos esforços que fazemos e que causaram esse trauma. É tudo aquilo que a gente faz no automático e não se dá conta e que repete todos os dias do mesmo jeito”.

O fisioterapeuta associa essas repetições com ações do cotidiano, que em longo prazo se tornam extremamente prejudiciais. “A gente pega coisas e se abaixa no chão com a postura torta, senta errado, larga ou joga o corpo todo errado, esse vício em smartphones, que muitas vezes força a vista e a coluna… São situações errôneas que não se ajustam e que ficam se retroalimentando”, alerta.

Exercício, sim!

Nesse caso, Jablonski diz que a fisioterapia auxilia, mas não faz milagre. “Você precisa corrigir esses hábitos junto com o fisioterapeuta, mas aí vem a parte que ninguém quer fazer, que é o exercício e a atividade física, já que só esses dois que tem o poder de manter a pessoa curada”.

Para o fisioterapeuta, a atividade física é fundamental e que fazer só se a pessoa gostar não é uma opção. “Definitivamente o exercício não é uma coisa que tem a ver com gostar ou não. Você pode gostar ou não de sorvete, mas nesse caso, o exercício é obrigatoriamente a única coisa que vai fazer você manter o seu corpo em ordem”.

Jablonski se diz totalmente contra intervenções e fórmulas prontas para deixar o corpo em forma. “Queremos terceirizar a responsabilidade pelo nosso corpo, achar a fórmula magica e emagrecer da noite para o dia sem mudar hábitos… ficar forte, bonito e sarado sem sofrer… Então, a gente se submete a procedimentos invasivos, cirúrgiocos e estéticos e espera que isso dure pra sempre”.

O fisioterapeuta garante que não existe segredo para manter a saúde articular. “A fisioterapia vai te ajudar a sair da cama e voltar pra ela, com o menor desgaste possível e com o teu corpo mais ajustado possível, mas a gente precisa entender que quanto menos refém ficar dos remédios e dos hábitos prejudiciais, mais vai se reabilitar. Pense sempre que foi você que ganhou o seu corpo, e não o seu corpo que ganhou você. Então, a responsabilidade de cuidar do seu corpo é sua e não do outro”, conclui.

 

Sem comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

*