Dançando para o mundo

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Em uma noite repleta de brilho, cultura e movimento, o Grupo Corpo abriu o Festival de Dança de Joinville com suas principais coreografias e deslumbrou o público

 

Por Marcela Mayrinck  Fotos Divulgação

 

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“Quando se vê o Grupo Corpo dançando, é como se as questões do trânsito entre a natureza e a cultura estivessem sendo bem respondidas. São os diversos Brasis, o passado e o futuro, o erudito e o popular, a herança estrangeira e a cor local, o urbano e o suburbano, tudo ao mesmo tempo sendo resolvido como arte. Arte brasileira. Arte do mundo.” Essa frase de Helena Katz, que está no site do grupo, define de forma resumida uma companhia de dança que surgiu em Belo Horizonte há quase 40 anos – para ser mais exato, há 39 anos – e desde então roda o mundo apresentando danças que embalam os olhos e corações de um público eclético que sabe valorizar a arte.

 

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Foi com entusiasmo e muitos aplausos que os joinvilenses receberam a equipe coordenada por Rodrigo, Pedro e Paulo Pederneiras (respectivamente: coreógrafo, diretor técnico e diretor artístico da companhia) na abertura do Festival de Dança deste ano, na noite de 23 de julho. Rodrigo conta que houve grandes expectativas com relação a essa apresentação “dada à importância do festival de Joinville para a formação e informação de jovens que pretendem ter a dança como profissão”. Para Paulo, a expectativa foi bem diferente das outras. “Devido aos longos anos fazendo isso, já passei da fase da ansiedade e acabo dormindo durante a maioria das apresentações. Mas quando a platéia é especial, como essa do festival, fico nervoso, com certeza não iria dormir”, brinca.

 

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Após 27 anos sem vir a Joinville, o Grupo Corpo fez questão de selecionar suas duas coreografias mais marcantes e para essa ocasião, que são “Onqotô” e “Parabelo”. A primeira, que remete ao jeito mineiro de resumir a pergunta “Onde que eu estou?”, trata da perplexidade e pequeneza do “Homem” diante da vastidão do “Universo”. Este é o trabalho que, em 2005, marcou as comemorações dos 30 anos de atividade da companhia. A obra está sendo remontada pelo grupo e essa nova versão estrou no festival de Joinville. Assinada por Caetano Veloso e José Miguel Wisnik, a trilha sonora tem como ponto de partida uma bem-humorada discussão sobre a “paternidade” do Universo. De um lado, estaria a teoria do Big-Bang, a grande explosão primordial, cuja expressão consagrada pela comunidade científica mundial parece atribuir à cultura anglo-saxônica dominante a criação do universo; e, de outro, uma máxima espirituosa formulada pelo dramaturgo e comentarista esportivo, Nelson Rodrigues, sobre o maior clássico do futebol carioca, segundo a qual se poderia inferir que o Cosmos teria sido ‘concebido’ sob o signo indelével da brasilidade: “O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada”. Na coreografia, verticalidade e horizontalidade, caos e ordenação, brusquidão e brandura, volume e escassez se contrapõem e se superpõem, em consonância (e, eventualmente, em dissonância) com o fundo musical, desvelando significados, melodias e ritmos que subjazem ao estímulo sonoro. O cenário do espetáculo é assinado por Paulo Pederneiras e o figurino, por Freusa Zechmeister.

 

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Em Parabelo, Rodrigo Pederneiras apresenta aquela que ele mesmo define como “a mais brasileira e regional” de suas criações. A inspiração sertaneja e transpiração contemporânea da trilha composta por Tom Zé e José Miguel Wisnik se integram aos cantos de trabalho e devoção, à memória cadenciada do baião e a um emaranhado de pontos e contrapontos rítmicos, de onde emerge uma escritura coreográfica que esbanja jogo de cintura e marcação de pé. No cenário, a estética dos ex-votos de igrejas interioranas inspira Fernando Velloso e Paulo Pederneiras na composição dos dois painéis que dão sustentação cenográfica ao espetáculo – também com figurinos de Freusa Zechmeister – e exploram a intensidade das cores, velada por um tule negro e revelada somente no minúsculo espaço das sapatilhas; e criam o jogo de luz e sombra que veste os bailarinos na primeira parte de Parabelo, enquanto que, na reta final e explosiva do balé, as malhas se libertam do véu, alardeando a temperatura jubilosa e alta de suas cores.

O presidente do Instituto Festival de Dança, Ely Diniz, revelou que a noite de abertura é a mais tensa para os organizadores, pois se espera que tudo corra da melhor maneira possível. “Nossa preocupação é sempre trazer companhias com trabalhos completos e dar ao público a oportunidade de assistir espetáculos de boa qualidade”, afirma. A apresentação, por sua vez, não deixou a desejar. A professora Flávia de Azevedo sempre apreciou a dança como forma de cultura: “Gosto porque é um conjunto de costumes de cada lugar, e o Grupo Corpo mostrou isso muito bem”.

Retorno positivo também veio do próprio diretor artístico do grupo: “Estou impressionado com a organização e estrutura do evento, pois é parte do que define a qualidade do espetáculo, espero voltar outras vezes”.

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Breve histórico
Como fundadores do grupo, os irmãos Pederneiras já passaram por vários momentos à frente da equipe que começou com 10 pessoas e hoje conta, entre bailarinos, técnicos, professores, pianistas e a escola, com 62 integrantes. “O que mais levamos em consideração para moldar a personalidade e as feições do grupo foi a união e confiança entre os membros da companhia”, afirma o coreógrafo, reiterando que um dos maiores desafios iniciais foi arrecadar fundos para manter o projeto.

Ainda assim, O Grupo Corpo estourou já no início, quando percorreu 14 países, no ano de 1976, com sua primeira criação que teve como tema a canção Maria Maria, de Milton Nascimento. Talvez isso tenha servido de motivação para que continuassem a todo vapor, pois pouco tempo depois lançaram mais seis obras assinadas por Rodrigo. Em 1985 a peça “Prelúdios” estreou no I Festival Internacional de Dança do Rio de Janeiro e o grupo teve um marco com relação ao seu estilo, que passou a tender para um misto entre erudito e popular que resultou no gradativo crescimento das coreografias e na forma como elas são criadas. Hoje a companhia possui na bagagem 35 peças, mais de 2.200 récitas e mantém 10 balés em repertório.

Percebe-se que o segredo para o sucesso foi e ainda é a dedicação total da equipe que nunca para, fazendo uma média de 75 apresentações por ano, das quais 65% são fora do Brasil. E Joinville, pelo jeito, se orgulhou de fazer parte deste roteiro!translate franceпосуда оптом москвалобановский депутат какой хорошийобучение seoанализ слов гуглmfx optionsкомпания полигонкупить шиномонтажные стенды

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