Um custo de R$800bi por ano!

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Há exatos 10 anos, o governo Belga fechou suas portas. Fechou as portas porque o governo eleito não conseguiu formar maioria no congresso e, como efeito, o parlamento e toda a parafernália da administração pública ficou parada.
Foram no total 541 dias sem governo, sem administradores públicos, sem políticos discursando em bancadas, sem funcionários públicos andando nos corredores do parlamento, sem aprovação de mais leis e tributos, etc.


Contrariamente a greve dos caminhoneiros brasileiros que durou apenas alguns dias e parou o país, a inexistência de governo na Bélgica não alterou a vida das empresas e da sociedade. Na verdade, a Bélgica até economizou recursos públicos e teve um PIB positivo de +2.7 em 2010.
Muito embora o governo Belga ficou parado por mais de um ano, ficou provado que as leis e as estruturas governamentais estavam bem desenhadas para manter a economia ativa.
Diferentemente do Brasil, visto que a crise dos caminhoneiros brasileiros demonstrou a nossa fragilidade econômica, e que somos reféns de um Estado pouco eficiente, inchado e muito caro.
Por exemplo, aproximadamente um terço das ferrovias estão em desuso, muitas das obras da Petrobras e outras tantas empresas públicas estão ou paradas ou superfaturadas. O nosso país não tem uma política para ferrovias ou automóveis elétricos e muito menos incentivos legais e financeiros para melhorar a nossa matriz energética.
Como se não bastasse estes problemas, temos outro ainda maior. O excesso de funcionalismo público. O Brasil tem aproximadamente 2.500.000 funcionários públicos no âmbito federal. Estes funcionários geram um custo de mais de $280 bilhões de Reais por ano! Sim senhores, estamos falando de quase 300 bilhões de Reais para serem pagos a funcionários ativos que tem regime trabalhista diferenciado, ganham suas aposentadorias integrais, alguns recebem assistências financeiras para a escola dos filhos, assim como assistência à saúde e moradia. E para piorar, segundo o IBGE, o número de funcionários municipais no Brasil é de 6.500.000 pessoas.
Sabe qual é o custo total do funcionalismo público para o país? Aproximadamente 13% total do nosso PIB. Nós gastamos mais com funcionários públicos que todos os funcionários públicos do Chile e Estados Unidos juntos!
Só para vocês terem uma ideia do que são 13% do nosso PIB. São mais de $800.000.000.000 de Reais. Para complementar, segundo dados o mesmo IBGE, o funcionário publico brasileiro ganha, em média, até 70% a mais que o funcionário privado.

Que coisa fantástica!

Isto até parece aquela frase do livro ‘Revolução dos Bichos” que diz: “todos os animais são iguais entre si, mas alguns animais são mais iguais que outros”.
Estes e outros fatores tornam o Brasil menos competitivo e caro. O chamado custo Brasil faz de nós reféns de um Estado que ao invés de promover a iniciativa privada, promove a iniciativa pública em detrimento dos recursos privados – e como efeito, temos uma carga tributária alta e uma produtividade baixa.
Entendo que é dever do Estado promover e preservar uma sociedade justa, igualitária e competitiva, dispondo de serviços básicos para todo o cidadão, desde que eles sejam bem empregados e eficientes.
Entretanto, a atual carga tributária, o tamanho gigantesco do funcionalismo público, os gastos sociais descabidos, somado a ineficiência pública são elementos determinantes para deixar o Brasil de fora do ranking das grandes nações.
Margareth Thatcher, ex-Primeira Ministra da Inglaterra, disse certa vez que “ o Estado não tem fonte de dinheiro senão o dinheiro que as pessoas ganham por si mesmas e para si mesmas”. Portanto, segundo Thatcher, quanto menor o Estado maior a habilidade das pessoas gerarem maior riqueza e prosperidade. Bingo!

E é isto que precisamos no Brasil, um país que apoie os empreendedores, os empresários, e todo o indivíduo que queira produzir e criar negócios que beneficiem a sociedade.

Até a próxima!

Kurt Morriesen é gerente sênior para investimentos de impacto da United Nation – Principles for Responsibles Investment (UNPRI), uma iniciativa da ONU em conjunto com grandes investidores para tornar o sistema financeiro global mais sustentável. Já trabalhou para o BID e para o IFC.

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