Literatura teen

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Já bastante conhecida no Brasil, a escritora mineira Paula Pimenta vem construindo uma carreira sólida com romances infanto-juvenis, como os da série “Fazendo meu filme”, e veio a Joinville falar de seus lançamentos que conquistaram o público adolescente

 

Por Guilherme Diefenthaeler e Marcela Mayrinck  Fotos Willian da Silva

 

Guilherme Diefenthaeler: Como você começou a escrever?
Paula Pimenta: Gostava desde o colégio, minha matéria preferida era português. Resolvi fazer jornalismo por isso, mas logo vi que este formato não era o que queria escrever, meu negócio era contar história, opinar. Saí do jornalismo, fui estudar publicidade e passei a usar a escrita como um hobby, falar sobre poemas e a adolescência, e fui convidada para ser colunista de um site de crônicas. Mas quando já tinha saído da faculdade foi que consegui escrever um romance inteiro e vi que o que eu gosto mesmo é romance com ficção.

 

GD: Há quanto tempo você entendeu que sua profissão seria de escritora?
PP: Foi aos poucos, quando tinha uns dois, três anos que o “Fazendo meu filme” foi lançado, vi que não dava mais para conciliar escrita e o trabalho como publicitária. Quando não estava viajando para lançar o livro, tinha que cuidar do novo. Precisava dedicar um tempo para isso, então foi em 2008 que passei a ser escritora.

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GD: Como é que você está se sentindo com esse reconhecimento nacional?
PP: Claro que tem que vender bastantes livros para poder trabalhar só com isso, né?! Até porque no Brasil existe um grande problema que é a pirataria. Então você concorre com a pirataria do seu próprio livro. Sempre peço aos leitores para não piratearem, para pegar emprestado com amigos ou até na biblioteca… é importante valorizar os autores nacionais, porque (escrever livros) é difícil, não é fácil. No exterior, ser escritor é uma profissão reconhecida. Aqui eu falo: “Sou escritora”, aí todo mundo pergunta: “Mas quê que você faz?”.

 

GD: Depois de se tornar escritora, em 2008, o que mudou na sua rotina e na vida pessoal?
PP: Mudou tudo, porque é uma rotina muito corrida, falo que não tenho mais vida pessoal (risos). Quando não estou escrevendo, viajo para divulgar. Sou colunista também, da Veja e de um jornal BH (Belo Horizonte), e toda semana tenho que entregar a coluna. Portanto, férias não fazem mais parte da minha vida. Mas é muito gostoso, porque tenho o carinho dos leitores, recebo dezenas de e-mails, centenas de recados nas redes sociais falando que amam o livro. Não existe retorno maior do que este, o leitor gostar, elogiar e pedir novos livros.

 

GD: Como você não tem mais que dar expediente em uma empresa, como lida com a rotina de produzir literatura?
PP: Eu funciono melhor à noite, é quando tenho mais criatividade. Mas acordo pelas 9 da manhã e fico revisando os capítulos, respondendo e-mails de leitores. Às 10 horas da noite parece que ascende uma luz na minha cabeça e todas as ideias surgem, apesar do cansaço e do sono, que atrapalham. Só quando está perto do prazo que escrevo de dia. E quando não estou escrevendo, participo de feiras do livro, bienais e dou entrevistas.

 

 

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GD: Como é seu processo criativo?
PP: Bom…é inspirado em coisas que eu vivi. Tenho um diário da época de adolescência, então às vezes pego para lembrar de alguma coisa e crio uma história nova para ilustrar minhas experiências. Me inspiro também em casos que as pessoas contam. Uma vez um taxista me contou um caso que virou um capítulo inteiro. Estou sempre com o radar ligado, 24 horas por dia, portanto qualquer coisa pode virar inspiração.
GD: Qual a diferença entre escrever para livro e revista? No que você se baseia para cada um deles?
PP: É bem diferente, livro é ficção mesmo, a não ser que seja um livro de contos ou poema. Mas o que eu escrevo, que é romance, se baseia na ficção. Assim tenho mais liberdade para inventar. Agora, as colunas das revista sempre são baseadas em acontecimentos reais, com perfil jornalístico, ou seja, tem um pezinho na realidade.

 

GD: O sucesso te surpreendeu?
PP: Sim, mas foi algo gradual, não foi de repente. Não acordei um dia e “Oh, sou uma escritora e tenho fama”. O “Fazendo meu filme 1” foi lançado com mil exemplares (a primeira tiragem) e demorou um ano para esgotar, o segundo já saiu com três mil e acabou em três meses, o quarto com 10 mil e esgotou em um mês. E foi assim, percebi que tinha ficado famosa quando entrei em uma livraria para falar do lançamento – estava tão cheio que tive que entrar pelos fundos – e as meninas gritavam. Foi a primeira vez que isso aconteceu. É difícil as pessoas terem essa reação com escritores, e ao mesmo tempo muito bom, porque estou incentivando os jovens a ler.

 

GD: Como as redes sociais influenciaram no ofício do escritor?
PP: Influenciou totalmente, pois o retorno agora é imediato. Antigamente o autor era distante. Quando lia, não tinha nem ideia se ela era vivo ou morto. Hoje em dia não, o escritor está ali, na rede social, conversando. Alguém lança uma pergunta, a gente vai lá e responde. Além disso, eu acompanho meus leitores, vejo as conversas deles, o que eles fantasiam. Então, é rico para as duas partes, porque eles discorrem sobre o que querem, falam dos personagens… e eu, além de estar próxima, fico por dentro da demanda, do que os jovens esperam.

 

 

 

 

GD: Que tipo de coisas as pessoas comentam no seu “face”?
PP: O que mais perguntam é quando vai sair o próximo livro e também sobre o filme do “Fazendo meu filme”. E sobre o destino dos personagens também.

 

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GD: E quanto ao filme?
PP: Ainda está em pré-produção e seu lançamento previsto para o final de 2015. Então ainda vai demorar um pouquinho.

 

GD: Como nasceu este projeto do filme?
PP: Todos os leitores pediam, desde a primeira edição: “Ah, tem que virar filme”. Daí escolhi algo em que pudesse ter mais autonomia, porque tem livro que a gente ama, aí vai ver o filme, fica com aquela sensação de que estragaram, não era bem assim. Então quero acompanhar tudo, ter esse controle. Apesar de ter sido procurada por produtoras maiores, preferi uma menor, mais para poder estar perto e poder ajudar na escolha do elenco. Mesmo que não saia um filme enorme, vai sair fiel ao livro.

 

GD: Qual a tua expectativa em ver o teu livro na tela?
PP: Estou meio ciumenta com isso. Ainda não me acostumei muito com a ideia, porque os personagens existem na minha cabeça, então não estou preparada para vê-los assim, em carne e osso. Quero participar da escolha do elenco exatamente para tentar pegar pessoas que me remetam muito a eles.

 

GD: Você pensa em desenvolver um trabalho voltado para outro público, que não seja o adolescente?
PP: Sim, até porque as minhas leitoras estão pedindo. A menina que tinha 15 anos quando eu lancei o primeiro livro, hoje já tem entre 20 e 21. Eu tenho planos e até ideias no mesmo segmento, mas para o público adulto. Só que falta tempo. O “Minha vida fora de série” está em andamento, têm mais duas partes preparadas para o ano que vem… tempo para escrever está faltando, porque realmente estou viajando demais.

 

GD: Qual é o perfil dos jovens que você encontra nas feiras de livros?
Acho que não é só o adolescente, mas todas as gerações. Eu escrevi esses livros baseada na minha adolescência, então imagino que isso faça as pessoas lembrarem dessa época, se identificarem com a história. Assim descobri que a adolescência é igual em qualquer geração. Mas tenho mais contato com as meninas, porque os meninos acabam tendo um preconceito com o livro, porque as capas são rosinhas, coloridas, né… e elas têm um perfil mais comportado, lá no fundo uma veia mais romântica, que às vezes até pedem conselhos.
GD: É a sua primeira vez na Feira do Livro de Joinville?
PP: Sim, e estou adorando. Principalmente por poder retribuir o carinho dos leitores.

 

GD: Este público que assiste suas palestras nas feiras também inclui mães, professores?
PP: Sim, às vezes tem pais que agradecem por ter tirado a filha da internet e mães que chegam e falam: “Olha, nós duas somos suas fãs”, contando que viu a filha lendo, pegou e gostou também.

 

GD: Na sua opinião, qual o papel do professor em incentivar a leitura, mostrando que ele não é só um compromisso para passar na prova?
PP: Ele tem que incentivar qualquer tipo de leitura, não apenas aquela para a sala de aula. Claro que deve usar os clássicos, porque eles são uma formação muito importante. Mas é necessário incentivar a leitura de entretenimento também, para os alunos verem que ler é gostoso, é prazeroso, é bom. Não é depois de adulta que a pessoa vai resolver gostar de ler, mas sim pegar livros mais profundos. Acho que tudo é válido: Turma da Mônica, Harry Potter, Crepúsculo e Fazendo meu filme… principalmente na adolescência, que é tão importante para a formação de opinião.global language translationуслуги раскрутки сайтаqlikview что это такоелучшие блендерыбизнес b2bособенности продвижение сайта раскруткапрошла проверку полиграфесупермаркет класс официальный сайтno registration free slots

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