Quando empreender vale o investimento…

Quando empreender vale o investimento…

Uma entrevista com o fundador da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, sobre a sua trajetória na área de investimentos e os desafios para quem quer investir no Brasil.

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O carioca Guilherme Benchimol, um dos fundadores e principal executivo da XP Investimentos, é um daqueles exemplos práticos de que empreender é fazer valer o esforço de acreditar e investir em si mesmo. Começando com um investimento de apenas 15 mil reais, um sócio e uma pequena sala na cidade de Porto Alegre, o administrador de empresas criou um negócio que revolucionou a maneira de investir no Brasil.

Guilherme Benchimol, ao centro, com alguns dos sócios da XP Investimentos.

Criada em 2001, a XP Investimentos inicialmente atuava como Agente Autônoma de Investimentos. Depois, criou a XP Gestão de Recursos, incorporou a AmericaInvest e tornou-se uma Corretora de Valores. Hoje conta com uma carteira de 410 mil clientes e 85 bilhões de reais em ativos. São mais de 660 escritórios, 1300 colaboradores, mais de três mil assessores pertencentes à 180 cidades e 25 estados focados na corretagem de valores imobiliários, distribuição de produtos de investimentos e gestão de recursos de terceiros.

Em entrevista a Premier, Benchimol fala da experiência à frente da empresa que gerencia cerca de 2% do mercado total de investimentos de pessoas físicas no Brasil e comenta os planos para alcançar o primeiro trilhão de reais até 2020. Confira!

 Revista Premier: Quando você e seu então sócio resolveram arriscar e começaram a XP, qual era o principal objetivo do negócio?

Guilherme Benchimol: Acho que o meu maior sonho quando a começamos era me manter trabalhando e nunca mais ser demitido. Como dono do meu próprio negócio, eu aceitaria falhar e até ir a falência, mas o importante pra mim seria ter domínio sobre a minha vida. Então, essa foi a visão inicial, arriscar e empreender por mim mesmo.

 RP: E como foi que o negócio cresceu? Em que momento entraram os maiores investidores?

GB: Quando começamos, atendíamos pequenos investidores – cliente iniciantes, que quisessem investir em ações. Éramos agentes autônomos. Passamos a ser uma corretora completa e que atendia clientes maiores entre 2009 e 2010. Eram clientes dispostos a investir valores que chegavam a casa dos milhões de reais, mas ainda assim eu diria que a principal virada do negócio foi em 2003, quando percebemos que era muito mais fácil convencer as pessoas a virem aprender com a gente do que convencê-las a investir. Então, foi bem importante essa mudança de conceito educacional que construímos desde o comecinho.

 RP: A Manchester Investimentos aqui de Joinville é um dos maiores escritórios afiliados a XP. Qual a importância dessas centenas assessores espalhados pelo Brasil no crescimento da empresa?

GB: São fundamentais. Hoje, no Brasil, são três trilhões e meio de reais investidos. A maior parte desse valor fica nos bancos. Então, a nossa causa é lutar contra esse monopólio. Estamos lutando a favor da “desbancalização” dos investimentos, porque sabemos que as pessoas investem melhor fora do banco. Isso porque esse movimento já aconteceu mundo afora. Nos Estados Unidos, por exemplo, 90% da população americana investe fora dos bancos. Aqui no Brasil é o contrário, 95% dos investimentos está dentro dos bancos. No mundo inteiro o banco trabalha para quem quer usar cartão de crédito, ter conta corrente, pagar contas, mas não para investir. Porque o banco só vai te oferecer os investimentos que ele próprio possui sem a opção de investir em outras ações ou empresas. O lado bom de tudo isso é que temos uma cultura no Brasil de confiar no trabalho da assessoria, na pessoa que está ajudando você. Por isso, a nossa estratégia para alcançar os clientes é por meio dos escritórios regionais como a Manchester, parceiros nossos de confiança, que fazem a informação chegar até o investidor.

RP: O que a região sul do país representa para vocês?

GB:Hoje a região sul representa cerca de 30% dos nossos clientes de ativos sob custódia.

RP: A meta é continuar dobrando o patrimônio até 2020 e alcançar um trilhão em investimentos. Como vocês pretendem atingir essa meta? Quais são as estratégias?

GB: Queremos ensinar as pessoas a investirem melhor e fazer com que elas percebam que quem investe através do banco investe mal. Essa é a questão principal, que as pessoas saibam que elas podem ter menos custos, menos tarifas, que vão ter ativos que vão render mais, principalmente na conjuntura atual, já que ter juros menores significa cada vez mais o cliente saber cuidar do dinheiro dele. Então, o nosso objetivo é tornar essa informação cada vez mais conhecida, com cada vez mais credibilidade. Quando se fala em investimento, ninguém pensa numa corretora de valores, pensa num lugar convencional como um banco. Você pensa em poupança, associa ao banco, ao gerente, à agência e assim por diante. A nossa empresa não funciona assim. Queremos e já estamos mudando há alguns anos essa questão cultural para que todo esse processo seja muito orgânico e natural. Eu diria que tudo isso vai acontecer, é só uma questão de tempo. Até porque as pessoas acabam percebendo o que é melhor para elas.

RP: Além do Brasil, vocês tem operações nos Estados Unidos e na Europa. Qual a estratégia de globalização da XP?

GB: Quando a gente pensou em buscar cada vez mais clientes qualificados, clientes com mais potencial de investimentos, esse perfil de cliente demonstrou querer diversificar cada vez mais os investimentos para obter menor risco em sua carteira. Assim, decidimos optar por operações internacionais que permitissem a esse nosso cliente local acesso a operações globais. Temos um escritório em Genebra, na Suíça, para os clientes que buscam investimentos na Europa e escritórios em Miami e Nova York para atender os clientes que buscam a estrutura americana de negócios.

RP: Qual a sua visão de futuro? Como você, Guilherme, se enxerga daqui há cinco ou dez 10 anos?

GB: Fazendo a mesma coisa que eu faço hoje. Sempre com cada vez mais sucesso e intensidade. Eu sempre digo que meu hobby é fazer a XP ficar cada vez maior e melhor juntamente com os meus sócios. Somos felizardos em ter uma atividade que é a nossa paixão, quase uma diversão mesmo. Acordamos todo dia com um frio na barriga, mas temos dentro de nós esse sonho enorme de manter essa empresa de investimentos dando certo no Brasil. O desafio de chegar lá é a nossa maior motivação. Então, eu me enxergo por muitos anos ainda trabalhando à frente dessa empresa, buscando cada vez mais caminhar nessa direção.

 

 

 

 

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