O CEO de uma empresa de um funcionário

O CEO de uma empresa de um funcionário

Por Kurt Alois Morriesen

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Diz um provérbio no mundo dos negócios que a pessoa bem-sucedida no mercado privado se avalia pelo o tamanho do seu bônus; no setor público, pelo o seu título e no terceiro-setor, pelo tamanho do ego.


Se isso é verdade, não sei. Ocorre que nestes tempos, há uma inversão de prioridades entre muitos jovens profissionais, novos empreendedores e gestores de pequenas e médias empresas.
Explico melhor: Cada vez mais me deparo com uma situação um pouco incomoda quando um jovem empreendedor me entrega um cartão de negócios que vem estampado, em alto relevo, o título de CEO. Ou outras vezes quando encontro um profissional de uma empresa média com títulos nobres como “Líder da América Latina”, “Diretor Geral de engajamento de stakeholders” e por aí vai. Títulos pomposos e que, sem dúvida alguma, chamam a atenção e curiosidade de qualquer um.
Conversa vai e conversa vem, descobre-se que o tal CEO é mesmo o CEO da empresa. Mas uma empresa de um funcionário só. O “líder da América Latina” não tem nada com políticas públicas ou diplomacia empresarial, mas sim como representante comercial de guardanapos e apetrechos de restaurantes. Já o Diretor Geral de Engajamento não tem time ou poder de direcionar a empresa para qualquer lado.
Títulos, sem poder financeiro ou poder de influência nada valem no mundo dos negócios.
É o caso de uns ou outros que se autodenominam “influencers” ou influenciadores. Para estes, seu poder de influência está em disponibilizar vídeos no Youtube para tratar de temas variados, desde o melhor uso de uma maquiagem à como passar da fase do novo jogo online Alguns influencers são tão influenciadores que até contratam empresas especializadas para dar-lhes mais visitantes nos seus canais. Conheço uns que até compram “amigos virtuais” para calibrar seus profiles no Instagram e Twitter.
Bravar aos quatros ventos que o sujeito é um CEO é um exercício individual de autoestima, mas que nada vale se não se tem pessoas para gerenciar, se não tem receitas financeiras para pagar as pessoas que ele gerencia, e se não se tem clientes que queiram acreditar no negócio do CEO.
Do outro extremo, quando vou a eventos internacionais para falar sobre investimentos sustentáveis, encontro investidores privados e multimilionários que querem investir em empresas inteligentes. Quando trocamos cartões corporativos, eu não encontro títulos nobres e em muitos dos casos apenas recebo um cartão branco, com o nome da pessoa, nome da organização, email e contato. Isto. Apenas isto!
Depois de uma pequena pesquisa se descobre que a pessoa que tinha um cartão com o titulo de “analista” gerencia uma carteira de mais de R$10,000,000,000 e que o outro cidadão que tinha um cartão “mequetrefe” nada mais é que um representante das famílias mais endinheiradas da Bélgica.
Isso me faz lembrar a história da rainha Elizabeth I (1533 à 1603). Naquela época, Elizabeth não tinha condições para financiar ou influenciar poderosos generais ou nobres (não tão nobres ou não tão ricos) que detinham grandes latifúndios na região. Elizabeth, uma raposa da política inglesa, decidiu então dar-lhes títulos de realeza ou mesmo promover alguns nobres de Visconde para Barão, de Barão para Marquês e por aí vai. Enquanto os novos nobres se enamoravam consigo mesmos, Elizabeth guardava seus quinhões no cofre e fazia investimentos. No decorrer do caminho, Elizabeth se manteve no poder por 44 anos, enquanto muitos dos nobres perderam seus títulos, poder e dinheiro.
Elizabeth era uma rainha, uma verdadeira influenciadora, que soube usar de seu prestigio para governar um país. No âmbito dos negócios, todo o macaco velho sabe que o que realmente importa é o bônus financeiro ou os ganhos financeiros que um indivíduo faz com o seu título, e não o seu inverso.
Abraços e até a próxima!

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