Paixão e Movimento

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Foi aos poucos que Michelle Moura, bailarina e coreógrafa joinvilense conhecida internacionalmente, se encontrou na dança e hoje transmite ao público a importância de movimentar e compreender o corpo

 

Por Marcela Mayrinck  Fotos Divulgação

 

Michelle Moura

 

Dança, performance, coreografia e noise. Assim se define a bailarina joinvilense Michelle Moura, que já percorreu e conquistou palcos do mundo inteiro. Aos 9 anos de idade começou a fazer balé, motivada pelos pais, que sempre prezaram pela prática de esportes. “Eles incentivaram o esporte e a arte, o que me levou a aprender balé e sapateado inicialmente”, conta a dançarina, que ainda criança esperava ansiosamente pelo dia de se apresentar ao público, no Festival de Dança e em eventos de fim de ano.
E foi assim, passo a passo, que Michelle adquiriu experiência no palco e subiu um degrau, passando a estudar a técnica do balé e diversificar as coreografias: “Teve um ano em que apresentamos dança contemporânea e no outro jazz”, diz, sorrindo com satisfação. Apesar do fato de praticar uma atividade física da qual gostava, do intenso envolvimento com o grupo, ensaios aos finais de semana e apresentações em outros estados, Michelle ainda não via a dança como profissão.

 

“A dança está ligada a vários tipos de reflexões. Os bailarinos compartilham um grande conhecimento em filosofia, sobre o que é ser alguém e a relação com outros seres”

 

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Um salto maior
E não foi essa arte que a levou a Curitiba, aos 17 anos, onde começou a estudar psicologia: “À medida que me questionava se aquele era realmente o caminho que queria seguir fui parando de frequentar as aulas”, revela a artista, que a partir daí ingressou na Escola de Extensão em Dança Moderna da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ali foi onde encontrou seu verdadeiro dom, unindo teoria (história da dança, da arte e da música) e prática (composição coreográfica e improvisação): “Nesse momento descobri que a dança é muito fascinante e abrangente”. Pegando mais gosto pela coisa, decidiu se aprofundar na área e se graduou em Dança pela Faculdade de Artes do Paraná. Michelle diz que o resultado foi melhor que o esperado, pois teve a oportunidade de enxergar que a dança está muito ligada a vários tipos de reflexões: “Artistas bailarinos compartilham um grande conhecimento em filosofia, sobre o que é ser alguém e a relação com outros seres”. Além disso, ressalta o aprendizado relacionado ao corpo humano, que tem sido extremamente útil.

 

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Muito além da dança
Na mesma época, ela sentiu a necessidade de reencontrar motivações para se movimentar, ou seja, dançar: “Inicialmente estava seduzida pela dança conceitual, mas chegou um momento em que quis retomar o grande prazer que sempre tive em me mover e sentir meu corpo e o ambiente”. Então, em 2007, fundou o projeto “O que me move a me mover”, que rendeu o prêmio Funarte Klaus Vianna. Através dele criou a coreografia Big Bang Boom (coproduzida pelo Festival Panorama, que acontece no Rio de Janeiro), que nada mais é do que um estudo do que são corpos e porque o corpo humano é a única coisa que se move. “Imagine se o chão, se todas as coisas inanimadas começassem a se mexer agora? Seria assustador. Isso me levou a pensar também em como nós, seres humanos, nos julgamos superiores a tudo que está em volta”, explica a dançarina. Na Big Bang Boom o chão é um ser animado,  com vida própria. Representado por 230 metros de papel distribuídos em várias camadas, seu movimento é dado por três bailarinas que se escondem, dando a impressão de que ele se movimenta sozinho. A montagem foi eleita, segundo o jornal O Globo, o melhor espetáculo de dança do ano, em 2012.

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Com mente aberta e sem medo de tentar, Michelle ganhou o mundo. Sua primeira experiência internacional foi em 2007, no “Move Berlim”, onde apresentou, junto com Ricardo Marineli, a obra “Mais uma peça selecta”. Entre 2010 e 2013, trabalhou para o francês Vincent Dupont e se apresentou em países como França, Noruega e Polônia.  Só em 2014 já esteve em festivais no Uruguai, Chile, Florianópolis, Belo Horizonte, Sorocaba, São Paulo e Curitiba. Sempre movimentando a mente, Michelle tem uma rotina um tanto corrida. Quando não está atuando, faz residências e ministra workshops. Em seu currículo consta, além da vasta experiência e graduação em dança, pós na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e um mestrado em Amsterdã.
Fato marcante na carreira de Michelle foi a participação do Festival Panorama, no Rio de Janeiro, a convite da coreógrafa Lia Rodrigues. “Na época foi muito relevante para nós, eu e meu grupo participamos como jovens coreógrafos e conhecemos vários artistas cariocas, o que abriu  muitas portas”, ressalta. Ela também destaca a participação no Festival Internacional de Dança Contemporânea, no Uruguai, cujo objetivo é reunir artistas de todas as partes da América e da Europa, o que é um grande encontro, de acordo com Michelle.
Com subsídios do programa Rumos Itaú Cultural Dança, a peça “Fole”, também elaborada por ela mostra como a mente pode ser modificada através da respiração, e como isso interfere nos movimentos corporais. Mais experimentos e mais um grande prêmio, desta vez dado pela Folha de São Paulo, como um dos melhores espetáculos do ano de 2013 na capital paulista.
Ao falar do seu tipo de dança, a artista a define como experimental e com forte ligação a performance. Com ousadia e criatividade, Michelle busca movimentos diferentes nos mínimos detalhes, baseada, segunda ela, no questionamento “O que pode um corpo?”. Dessa forma, acredita romper hábitos físicos e perceptivos que podem inspirar a outras maneiras de lidar com o próprio corpo. Resumindo, Michelle faz um estudo do corpo através da arte!возрождение дцкейс для косметики ценаинтермарксавиллсноутбуки популярныекупить раскрутку сайтапоисковая оптимизация сайта самостоятельносайт никосаЯндекс.Вебмастер новыйігри кухня

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