A TODO VAPOR

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Projeto de desenvolvimento do Porto Brasil Sul (PBS) em São Francisco do Sul prevê geração de empregos e crescimento de renda para a região norte de Santa Catarina.

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O futuro da embarcação brasileira. Essa é a promessa do Porto Brasil Sul (PBS), projeto de desenvolvimento do maior porto da região Sul e o quinto maior multicargas do País. “Temos um potencial de investimento, considerando as etapas para implantação em todos os tipos de negócios, de U$ 1 bilhão. O maior investimento privado da história de Santa Catarina e um dos maiores do Brasil”, afirma o diretor presidente do PBS, Marcus Barbosa.

A ser construído na cidade de São Francisco do Sul, dispondo de sete terminais, oito berços de atracação e movimentação projetada de 20 milhões de toneladas/ano, o PBS é o maior investimento portuário em análise hoje no Brasil, pelo menos em termos de licenciamento ambiental. “Para definir a configuração do Porto Brasil Sul fizemos em 2014 um estudo completo de demanda. Consideramos nessa projeção contêineres, graneis sólidos, graneis líquidos, carga geral, veículos, fertilizantes e uma usina regasificadora de gás, ou seja, tudo que seria possível imaginar como oportunidade de negócio”, garante Barbosa.

Segundo o diretor presidente do PBS, a navegação transoceânica de contêineres exige, por questões de geografia e redução de custos, que os grandes navios entrem pelo Sul do País. “O futuro da embarcação marítima está baseado em grandes navios e grandes navios precisam de portos que tenham profundidade mais elevada. Aqui no Brasil, o Porto Brasil Sul será o primeiro grande porto de águas profundas que permitirá o acesso de navios dessa magnitude”, afirma.

O empreendimento solucionará o gargalo logístico das regiões Sul e Sudeste, tornando-as ainda mais competitivas nos mercados interno e externo. “Para resolver a questão dos navios com grandes volumes de carga – que antes ficavam totalmente centralizadas no porto, iremos fazer o escoamento dessa carga através de outros navios pequenos. Além disso, será possível centralizar a carga para ser embarcada e depois ser emitida ao exterior”. Barbosa acredita que, com isso, o Porto Brasil Sul irá promover otimização de tempo, de custos e de escala.

Geração de empregos

A previsão é que entre 2quando o Porto estiver totalmente em operação gere três mil empregos diretos. O número de postos de trabalho foi calculado com base em modelos de outros terminais do País. O estudo detalhado foi feito pela LPC Latina, uma empresa com três décadas de conhecimento no setor de engenharia e mais de 260 projetos desenvolvidos, responsável também pelo projeto do Porto Brasil Sul. “Acreditamos que de maneira indireta esse número de postos de trabalho seja multiplicado por três”, garante Barbosa.

Com base no levantamento da consultoria, os cerca de três mil empregos serão criados nos sete terminais e no centro administrativo. A LPC Latina indica que haverá cerca de 600 vagas para pessoal de nível superior, 800 para tecnólogos, 1200 para pessoal de nível secundário e 400 para nível primário de escolaridade.

O diretor presidente do PBS explica que outra preocupação do projeto é incentivar a educação com o envolvimento da população. “A ideia é fomentar a educação e, sobretudo, que sejam impulsionadas as grades curriculares das escolas e os cursos preparatórios técnicos, para que assim, quando houver a necessidade ou a oportunidade dos novos empregos, a gente possa garantir a contratação do povo francisquense”, revela.

Marcus Barbosa – Diretor Presidente do Porto Brasil Sul

Licenciamento ambiental

O processo de licenciamento ambiental do projeto está na fase de análise pela Fundação de Meio Ambiente (Fatma), atual Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). Os primeiros passos do processo foram o protocolo do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (Rima) e a realização da Audiência Pública para mais de 1,6 mil pessoas em 28 de novembro de 2017, em São Francisco do Sul.

A Audiência Pública do Porto foi a maior da história de Santa Catarina. Durante o evento, foram apresentados detalhes sobre a arquitetura portuária do Porto Brasil Sul e sobre os estudos ambientais realizados no âmbito do EIA. “O resultado foi muito positivo. Conseguimos conversar com a comunidade e com isso o Porto Brasil Sul enriqueceu suas proposições. Tivemos uma verdadeira aproximação com a população francisquense. Ao todo, foram 185 reuniões, todas registradas, catalogadas e com listas de presença, o que nos auxiliou a evoluir no processo de licenciamento ambiental”, pondera Barbosa.

O próximo passo é aguardar o término da análise do EIA pelos técnicos da Fatma/IMA. Após esta etapa, poderão ser solicitadas informações técnicas, detalhamentos ou novos estudos, sobre o projeto e também sobre o EIA. Após esta fase, o órgão ambiental emite Licença Ambiental Prévia (LAP), com as devidas condicionantes/exigências para a obtenção da Licença Ambiental de Instalação (LAI). “Com a visita final que teremos da FATMA no local, nosso processo de licenciamento ambiental continuará avançando, com a documentação sendo entregue”, explica o diretor presidente do PBS.

Com a obtenção das primeiras licenças ambientais, o projeto de estimativa de início das obras entre 2019 e 2020. “Essa nossa melhor estimativa, mas é claro que não é possível garantir datas exatas, já que dependemos também das análises dos órgãos competentes. Com o início das obras, prevemos que alguns terminais sairão primeiro e outros depois. Então, até que todos os terminais sejam implementados, estimamos entre cinco a sete anos de obra no total”, diz Barbosa.

São Francisco do Sul – SC

Aprovação pública

   A principal proposta do PBS como fomentador da economia de São Francisco do Sul e região é a geração de empregos, o que tem contribuído para a aprovação do projeto pela comunidade. “Começamos com um índice de popularidade e satisfação com o projeto de 20% Um ano depois, em 2017, passamos a ter um índice de 81% de aceitação. O povo francisquense deseja o desenvolvimento, a geração de empregos hoje e para as próximas gerações. Nossas pesquisas indicam que a população local gosta de morar e permanecer em sua própria cidade, mas hoje de 55 mil habitantes, 12 mil pessoas saem todos os dias de suas casas para trabalhar em outras localidades da região. Queremos mudar essa realidade”, diz Barbosa.

Com o compromisso de gerar cerca de três mil postos de trabalho e aproximadamente 20 milhões de reais para os cofres públicos municipais quando a obra estiver totalmente concluída, o PBS garantiu o apoio também da Câmara de Vereadores de São Francisco do Sul. Por 4 votos a 1, os vereadores de São Francisco do Sul votaram a favor da moção de apoio ao empreendimento em setembro do ano passado. “A Câmara de Vereadores tem a visão do nosso projeto como criador de oportunidades para a cidade e para o crescimento da população, até porque quando você cria um novo empreendimento, vão sendo criadas novas oportunidades e a gente quer acolher a população dentro do negócio para que essa seja a vocação do município, que a atividade portuária seja a vocação de São Francisco do Sul”, ressalta o diretor presidente do PBS.

Apoio do Cofem

Outro apoio angariado pelo PBS foi das entidades empresariais de Santa Catarina. Em outubro do ano passado, o Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (Cofem) aprovou por unanimidade moção de apoio ao Porto Brasil Sul, a ser instalado em São Francisco do Sul.

Para os membros do Cofem, a instalação do Porto, previsto para começar a operar no início da próxima década, trará benefícios para a competitividade e a logística catarinense, e consequentemente, maior inserção da produção estadual nos mercados doméstico, via cabotagem, e internacional.

O Cofem é formado pelas principais associações empresariais do estado, como a Federação das Indústrias de SC (Fiesc), Federação da Agricultura de SC (Faesc), Federação das Associações Comerciais e Industriais de SC (Facisc), Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas (Fampesc), Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), Federação do Comércio (Fecomércio) e Federação das Empresas de Transporte de Cargas (Fetrancesc).

Compromisso firmado

Para formalizar o compromisso firmado pelo PBS, a WorldPort Desenvolvimento Portuário, empresa gestora do projeto, protocolou documento oficial na Câmara de Vereadores de São Francisco do Sul que garante a contratação de trabalhadores do município. No documento, a Worldport indica que pelo menos 50% dos profissionais deve ser de São Francisco do Sul e que o empreendimento propiciará a geração de empregos diretos e indiretos e renda para a população local.

Benefícios da chegada do PBS

Geração de Empregos – durante o período de obras do Porto Brasil Sul, que levará entre cinco e seis anos, serão gerados 2,4 mil empregos diretos. Estima-se ainda que serão gerados 36 mil empregos diretos e indiretos em 2030, quando o porto já estará em plena operação.

Cuidados com o Meio Ambiente – O Porto Brasil Sul será o primeiro green port (modelo ambiental portuário, também chamado de Porto Verde, que segue diretrizes específicas de gestão ambiental) da América Latina, já nascendo com o compromisso da preservação e a valorização dos ecossistemas do entorno.

Geração de Renda – Além da geração de empregos, que consequentemente irá movimentar a economia local, os efeitos diretos, indiretos e induzidos dos investimentos para instalação do empreendimento resultarão em aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 9,6 bilhões a ser realizado ao longo das três fases de implantação – entre 2016 e 2030.

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