Prática para o equilíbrio

Prática para o equilíbrio

Conceituado médico em Joinville, Dr. Edson Maffezzolli explica o funcionamento da prática ortomolecular.

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Ele exerce a profissão há 45 anos. Começou como pediatra, mas depois de mais de duas décadas atendendo crianças, o conceituado médico joinvilense Edson Maffezzolli partiu para uma área da medicina que pouco havia sido explorada no Brasil no início dos anos 90. “Foi por motivos pessoais que eu busquei a prática ortomolecular. Tive casos na família que me motivaram a voltar a estudar e entender a causa de certas doenças que antes eram pouco estudadas”, lembra ele.

Depois de concluir o curso de prática ortomolecular, o Dr. Maffezzolli sentiu que não tinha todas as respostas que buscava. “Então ingressei na especialização de nutrologia, que eu senti que complementaria a prática ortomolecular e ainda fiz uma pós-graduação em fito-medicina, onde aprendi a usar as ervas de maneira medicinal”. Para concluir, ele ainda cursou mais um ano de medicina quântica. “Foram seis de formação complementar. Tudo para ter uma compreensão maior do que acontecia com a minha própria saúde e da minha família”.

A ideia inicial de Maffezzolli era utilizar o aprendizado de maneira particular, sem abrir o atendimento ao público, somente aos familiares. “Continuei atendendo como pediatra, mas comecei a receber pacientes adultos no meu consultório que queriam tratar doenças específicas”.  Depois de um tempo, ficou difícil de conciliar, tanto que o médico optou por deixar de atender os pacientes crescidos. “Os pacientes continuaram ligando, mas aquilo já estava afetando os horários das consultas da pediatria, então decidi parar. Foi aí que recebi a esposa de um paciente com câncer, que disse que se eu não atendesse quem precisava de mim aquilo seria crueldade”. A conversa afetou Mafezzoli. “Passei um fim de semana inteiro me remoendo. Aquilo ia contra o que eu acreditava como médico. Por isso, acabei voltando atrás e quis fazer a coisa certa. Montei o consultório oficialmente para os adultos, mas ainda hoje atendo as crianças algumas horas por semana”, afirma.

Para desmistificar a prática, que ainda hoje realiza na clínica localizada na Rua Professora Laura de Andrade, Dr. Maffezolli concedeu uma entrevista à Premier e explicou alguns dos conceitos, que, para ele, são a essência da medicina: “Cuidar do equilíbrio das células do corpo, algo que é feito em três etapas: a primeira é identificar o desequilíbrio, a segunda é desintoxicar o organismo do paciente com a mudança de hábitos e a terceira é a reposição ou eliminação das substancias necessárias para o equilíbrio da célula”. Confira!

Revista Premier: De maneira simplificada, o que é a prática ortomolecular?

Dr. Edson Maffezolli: Vou tentar resumir numa frase: se o seu corpo está em equilíbrio, ele não fica doente. Já quando alguma coisa não vai bem, o corpo envia mensagens, isto é, sintomas, de que o corpo está em desequilíbrio. A prática ortomolecular investiga esses sintomas e identifica o que está causando o desequilíbrio.

RP: Quais são os sinais que o corpo envia para sinalizar desequilíbrio?

EM: Os avisos do corpo podem ser simples como queda de cabelo, reações na pele, dor muscular etc.  Na maioria dos casos, o problema está sendo causado por algo que está sendo consumido pelo paciente. Pode ser algo que não deveria estar na alimentação da pessoa ou porquê algo está faltando ou não sendo consumido como deveria.

Em resumo, o que você come e bebe causa alterações de PH e dependendo do que se consome, a pessoa pode estar “envenenando” o próprio corpo. Esse “envenenamento” causa desequilíbrios, isto é, doenças físicas. Para combater as doenças, temos que trabalhar os micronutrientes, que ficam dentro das células.

RP: Como a prática ortomolecular atua no tratamento dos desequilíbrios?

EM: A prática ortomolecular é uma ciência que estuda o funcionamento da célula. A célula é a unidade primária de tudo que existe dentro do ser humano. Ela é composta por membranas, que para funcionar bem dependem de um PH ideal provido pelo meio ambiente.

Se esse meio ambiente apresenta um PH alterado, com a base ácida, por exemplo, é necessário descobrir o que está causando essa acidez no sistema do indivíduo e é aí que entra a questão da alimentação.

Por exemplo, se você esquecer um copo de leite em cima da mesa, dentro de algumas horas ele azeda, correto? No corpo humano isso também acontece. Em algumas pessoas, o consumo do leite acaba sendo um prejuízo ao corpo. Outro alimento que estraga fácil é o pão e da mesma forma, em alguns casos, o consumo desse alimento interfere no PH da pessoa. Já o refrigerante tem o PH muito baixo, tanto que a gente brinca que quem gosta de bebê-lo, está tomando o mesmo de ácido que há numa bateria de carro. Então, a cada copo de refrigerante, o ideal seria tomar outros 32 copos de água, só para consertar o estrago feito no corpo.

Então é só se perguntar o que é mais benéfico para o corpo: consumir um alimento que faz mal e tomar medicamentos que tratam o problema, mas não o extinguem, ou parar de consumir esse alimento e eliminar o problema de vez?

Contudo, tudo que falamos aqui tem que ser estudado individualmente, pois cada paciente tem uma genética única. Cada corpo funciona de uma forma e cada pessoa tem um aspecto da saúde que é mais frágil.

RP: Conforme envelhecemos, fica mais difícil tratar os desequilíbrios do corpo?

EM: A principal diferença entre uma fruta fresca e uma fruta envelhecida é que a fruta fresca tem uma proteção extra contra as interferências do meio ambiente, como agrotóxicos e outras mudanças que vem de fora, mas a medida que ela envelhece, o mecanismo de proteção enfraquece e ela começa a degenerar.

Da mesma forma, o ser humano nasce com diversos mecanismos para combater os desequilíbrios do corpo, tendo ainda o auxílio dos micronutrientes para complementar o que falta a partir da alimentação, mas com o passar do tempo esses mecanismos enfraquecem e ficamos mais suscetíveis a doenças.

Então, desde sempre você precisa proteger o seu corpo para ele não degenerar. O processo de degeneração nada mais é do que a perda da capacidade de se curar sozinho. É possível protelar esse processo para que a sua qualidade de vida dure por mais tempo a partir de condições em que o corpo funcione em equilíbrio.

RP: Qual o perfil dos pacientes que buscam a prática ortomolecular?

EM: A maioria dos pacientes que recebo na clínica são pessoas que já sabem que estão com algum problema. Em alguns casos, são doenças graves, que o paciente não encontrou tratamento em outro lugar. Ainda assim, de uns tempo para cá, tem aparecido mais pessoas interessadas em buscar mais longevidade e qualidade de vida. São pacientes que ainda não apresentam desequilíbrios e que buscam prevenir possíveis quadros de doenças que já são comuns na família durante a velhice.

Além desses pacientes, recebo casais que pensam em ter filhos e se preocupam se a criança será saudável. Para garantir isso, a partir de exames dos mecanismos de funcionamento do corpo dos pais, é possível fazer um estudo e um tratamento específico que pode eliminar a ocorrência de problemas de formação do feto.

RP: Qual a metodologia da prática ortomolecular em pacientes que já possuem algum quadro de doença grave?

EM: Eu tive um caso que após feitos os exames e com a pesquisa do histórico do paciente, nós descobrimos envenenamento por mercúrio. Em casos como esse, que são diferenciados, eu sempre recomendo que o paciente estude o que tem. É uma tarefa que a pessoa leva para casa, ler sobre o problema e entender como aquilo acontece no corpo dela. Isso ajuda bastante, porque geralmente quando a pessoa descobre que tem uma doença, ela precisa lidar com aquilo e ainda absorver tudo que o médico falou, então nem sempre ela entende o que está se passando. Já quando a pessoa entende o que ela tem, ela fica mais aberta ao tratamento e às práticas que vão auxiliar na recuperação.

RP: Como a prática ortomolecular trabalha em conjunto com cada uma das especialidades da medicina?

A especialidade médica deve ser tratada com uma exceção. Todos os médicos, em essência, devem ser clínicos-gerais, isto é, devem entender o corpo humano por inteiro. Em casos específicos, como por exemplo, um problema no rim, exige-se o acompanhamento com um especialista, que é o nefrologista.  A mesma coisa quando é um problema de articulação, é necessário o acompanhamento com um ortopedista

Aqui na clínica nós atuamos com a medicina pura, que é a ciência do corpo humano. Tudo que temos de conhecimento sobre o paciente, utilizamos para identificar o que está causando os desequilíbrios no corpo da pessoa. Fazemos tudo que está no nosso alcance para corrigir isso, mas claro, se for algo específico, nós encaminhamos para um especialista. Na maior parte dos casos, os hábitos alimentares são capazes de corrigir.

RP: Qual a sua perspectiva para o futuro da medicina?

EM: A ciência do futuro, acredito eu, será a Epigenômica que estuda tudo que acontece e interfere na sua saúde e que podem ser fatores causadores de doenças. Por exemplo, o caso da Angelina Jolie, que decidiu retirar os ovários e os seios. Ela tomou essa decisão porque depois de fazer vários exames baseados no histórico de saúde familiar, conseguiu identificar que tinha os genes para desenvolver câncer de mama e de ovário. Além disso, dentro da Epigenômica, existe outra ciência, que é a Nutrigenômica, que estuda como alimentos podem afetar ou causar doenças provenientes dos genes e vai totalmente ao encontro do que já faço.

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