Quebrando paradigmas

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cultura

 

Em visita a Joinville para a “Residência Internacional de Cinema”, promovida na Galeria 33, o cineasta iraniano Reza Hajipour mostra que é possível, sim, produzir filmes de q ualidade sem lançar mão de efeitos especiais

 

Por Marcela Mayrinck  Fotos Pablo Teixeira

 

Com mais de 40 documentários, vários filmes exibidos e premiados mundo afora e o domínio de oito idiomas, Reza Hajipour é conhecido mundialmente. Sua vinda a Joinville partiu da iniciativa do fotógrafo, também cineasta, e curador da Galeria 33, Alceu Bett, que o conheceu no FESTin, Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa. “Éramos concorrentes e, coincidentemente, ele estava sentado ao meu lado”, conta Alceu, que em um bate-papo com Reza descobriu seu interesse em visitar o Brasil e teve a ideia da residência, para compartilhar a experiência de cinema econômico com os artistas brasileiros. “Sou um entusiasta do cinema e tenho batalhado para produzir filmes aqui na cidade”, diz o curador.
Entre os dias 8 e 12 de setembro, Reza ministrou workshop para um número limitado de pessoas, cujas formações variavam entre atores, diretores, produtores e até artistas plásticos. Durante esse período, trocou experiência com profissionais joinvilenses, deixando seu conhecimento e levando um pouco daqui consigo.

 

“Quando era criança ficava imaginando coisas, se estava na rua fantasiava que o policial começaria a me seguir. Acredito que o cinema estava no meu sangue desde aquela época.”

 

Mohammad Reza Hajipour
…Ou apenas Reza Hajipour, como prefere ser chamado e é mais conhecido, nasceu em Fouman, no Irã, e iniciou sua vida como produtor aos 22 anos, na rádio na cidade onde morava. “Trabalhava como tradutor em uma rádio africana, e um dia meu chefe me aconselhou a estudar o processo de criação”, conta Reza, que a partir daí decidiu aprofundar nos estudos e se profissionalizou em produção radialista. Alguns anos depois, já tendo conquistado dois prêmios em um festival de rádio e TV no Irã, sentiu a necessidade de contar histórias através de imagens animadas: “Quando era criança ficava imaginando coisas, se estava na rua fantasiava que o policial começaria a me seguir. Acredito que o cinema estava no meu sangue desde aquela época”. A ideia de expressar seus pensamentos e transmiti-los aos expectadores foi o estopim para a paixão que existe entre Reza e a sétima arte. Ele conta que foi a principal razão que o levou a procurar uma escola de Cinema e em seguida, após experiências na televisão, onde produzia diferentes programas, fez seu primeiro curta-metragem que se chama “O Primeiro Dia de Trabalho”.
Sempre com a consciência de que este tipo de arte pode ser realizado sem altos gastos, criou vídeos com baixo ou nenhum custo. Revela que no começo é difícil encontrar incentivo financeiro ou qualquer apoio do governo, pois a cada ano surgem novos profissionais, escolas e até mesmo o fácil acesso ao computador torna a área cada vez mais competitiva: “Hoje em dia, se a pessoa tem uma câmera digital e um computador, já quer fazer filmagens. Mas ao colocar em prática, se depara com detalhes como a linguagem do cinema, que deve ser estudada de forma mais intensa”. Atualmente, já com reconhecimento internacional, o iraniano vive em Lisboa, cidade que escolheu, inicialmente, pelo desejo de deixar o Irã e morar em um lugar onde teria mais liberdade para elaborar seus roteiros livre de censuras. Depois de pensar em morar em outros lugares, Portugal veio a calhar quando foi convidado a participar de um festival, se hospedou na capital e gostou: “É um país da Europa onde tem sol e as pessoas são mais abertas”, descreve. Foi lá também que ganhou o primeiro lugar no FESTin, com seu curta-metragem “O Bebê”. Curiosamente, a inspiração para este filme veio da filmagem de outro, que se chamaria “Análises”, cujo personagem seria um bebê que deveria aparecer chorando. Como o ator mirim não chorou, Reza mudou de ideia e resolveu focar na própria experiência: “Acabou sendo um filme contando sobre a produção do outro”. Reza revela que não esperava – com esta produção que custou apenas 150 euros – ser campeão do FESTin. Segundo ele, havia muitos outros de boa qualidade na disputa.
Colecionador de prêmios, o artista lembra de alguns, como o de Melhor Produtor de Rádio, Melhor Anúncio de Rádio e os sete que angariou com seu longa-metragem “O Poço do Anjo”. Ao falar sobre sua inspiração criativa, afirma que se fundamenta na observação do comportamento humano, e as histórias são sempre contextualizadas com dramas sociais: “Gosto de estudar as pessoas, suas reações e dificuldades”. Entre seus planos estão o lançamento do curta “Os Olhos”, baseado no cinema pós-moderno; e a produção de mais longas-metragens.

 

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