Separando o joio do trigo em empresas.

Separando o joio do trigo em empresas.

Por Kurt Morriesen

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Pizarro, o famoso conquistador espanhol, durante suas aventuras na América Latina, ordenou a destruição de todas as suas naus. O motivo era simbólico. Seus soldados apenas tinham duas opções, ou lutar pela a conquista do Império Inca ou morrer lutando. Fugir não era uma opção.
A decisão de Brasil e dos líderes Europeus de abrir o mercado do Mercosul e da União Europa é um momento único para a nossa indústria. O Governo fez o mesmo que Pizarro. Ou nós lutamos pelo nosso mercado ou seremos engolidos pelo o Leviatã Europeu.


O impacto dessa decisão irá impactar todos os setores da nossa economia, desde empresas de construção à panificadoras comerciais. A abertura de mercado dará um alívio as nossas contas públicas e impulsionará a expansão do comércio, que por sua volta deixará posições políticas e econômicas radicais ambas de direita e de esquerda sob controle. Isto é positivo, visto que a prosperidade econômica é pedra basilar do pensamento liberal e da moderação política.
Entretanto, este cenário não será um “sonho de verão”. Em verdade, o cenário mais parece uma odisseia ao espaço!
A última vez que o Brasil teve contato com uma abertura econômica semelhante foi no período Collor (lá em meados dos anos 90!); e desde lá nós nos acostumamos a competir segundo barreiras culturais e entre os limites orçamentários e tributários do país. Com o acordo do Mercosul + União Europeia o negócio será diferente.
Todos os profissionais dos países da União Europeia são mais produtivos que os Brasileiros. Por exemplo, Dinamarca é o quarto país mais competitivo do mundo, Islândia, quinto, Irlanda e Holanda também estão na lista cobiçada de países produtivos. E o Brasil? Bom, estamos em 57 lugar! Sim senhores, estamos na berlinda.
O impacto será tremendo a toda e qualquer empresa, principalmente para aquelas menos competitivas e com práticas empresariais duvidosas.
Por exemplo, quem não conhece aquele diretor ou gerente que faz uma política para dar um estágio ao filho(a) na empresa? Quem não conhece aquele Diretor de RH que se esconder de conversas estratégicas da empresa? Quem não conhece aquele gerente de vendas que apenas quer vender rápido e não se preocupa com o valor agregado dos produtos? Quem não conhece aquela empresa que parece condomínio familiar? Onde todos os parentes ocupam posições de prestigio e com pouca transparência e controle de gastos? 
Pois bem, esses são apenas alguns exemplos de empresas que irão sofrer danos letais em seus negócios. Pois as empresas europeias não toleram paternalismo, clientelismo, falta de transparência e gestão ineficaz. Pare se ter uma ideia, a União Europeia determinou que todas as empresas da Europa tenham políticas e práticas de  gestão de riscos Sociais, Ambientais de Governança Corporativa; e mais, todas as empresas listadas na bolsa de valores terão um Diretor de Engajamento para trabalhar com os acionistas e explicar para os investidores como eles atuam no âmbito de transparência corporativa e de impactos a sociedade.
Você acha que isso é perfumaria? Melhor começar a ler o Financial Times. Hoje os maiores fundos de investimentos apenas investem em empresas que focam em riscos sociais, ambientais e com governança corporativa, o conhecido ESG. As famosas empresas de minério, óleo e gás estão sendo abertamente criticadas por investidores europeus e a Europa já têm um plano para excluir todos os carros movidos a gasolina e diesel em até 10 anos!
E qual é o impacto destas perfumarias, diria um diretor que empregou seu pimpolho como estagiário em detrimento a um candidato mais qualificado? Bom, se as empresas não se adaptarem às regras Europeias, estas não poderão vender seus produtos à Europa. E como as empresas europeias são mais competitivas, no que tange ao valor agregado e competência humana, elas terão maior alcance de vendas no Brasil e para o resto do Mercosul.
É verdade que há áreas que somos bem competitivos, como o agronegócio e outras em que o custo de mão-de-obra é barato. Entretanto, se apenas forcarmos nossos negócios em produtos primários, viveremos um Brasil com uma economia predominantemente pré-industrial em pelo século XXI!
O caso das empresas brasileiras mais parece aquela história daquele filosofo grego que teve a casa consumida pelas chamas. Um amigo veio consola-lo e o filosofo logo diz: todos os bens estão comigo. Em outras palavras, toda a empresa de sucesso é construída e mantida por pessoas e não por fachadas de fábricas, aplicativos, planos de marketing ou armazéns.
Está na hora de separarmos o joio do trigo das nossas empresas brasileiras, para que possamos exportar mais trigo que joio para o mercado Europeu.
Abraços e até a próxima!

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