Vivendo numa boa

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É assim que Marco Aurélio Raymundo, médico, empresário e surfista, conhecido apenas como Morongo, leva a vida, conciliando liberdade com responsabilidade no dia a dia à frente da Mormaii, além de vários outros compromissos, e agora na mais nova filial, em Joinville

 

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Por Marcela Mayrinck  Fotos Divulgação

 

“Sabia suturar e conhecia de anatomia humana por ser médico, também já conhecia o neoprene por sua utilização em outras áreas…o médico virou costureiro de neoprene”

 

Com uma história um tanto curiosa, o presidente de uma das maiores marcas brasileiras de roupas e equipamentos esportivos, se considera catarinense de alma e coração. Vindo do Rio Grande do Sul com a esposa e o filho ainda bebê, escolheu Garopaba para fixar residência devido às suas belas praias e constantes ondas. No paraíso que antes era apenas uma ilha de pescadores, Morongo prestou serviços médicos para a população até então carente de postos de saúde, e foi ali também que ele inventou uma veste de borracha para surfar no inverno, e a partir daí não parou mais de criar. Nasce a Mormaii, cujo nome veio da junção das primeiras letras dos nomes do dono, da ex-mulher e dos “ii” de Hawaii, e vai tomando forma, diversificando seus produtos e crescendo até alcançar o mercado internacional.
Pique para administrar o tempo entre a empresa, o surfe, palestras e projetos sociais, como Destino Azul, Karumbé e Aragua Social (voltados, respectivamente, para o mundo de veleiro, proteção de tartarugas marinhas e aulas de surfe para estudantes da rede pública) e família não falta. Em seu segundo casamento e com três filhos – Flavius, Mailyn e Tainah – Morongo conta, em entrevista exclusiva à Premier, que nunca para, está sempre em movimento. De forma descontraída, fala da Mormaii como um todo – empresa, filosofia, história -, de seu jeito solto e ao mesmo tempo sério de levar a vida entre uma onda e outra, do espírito hippie e jovem, que reflete no perfil de sua marca, e da nova loja na maior cidade do estado de Santa Catarina.

 

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Revista Premier: Em que cidade você nasceu?
Morongo:
Nascer eu nasci em Porto Alegre, mas minha infância foi toda em Barra do Ribeiro, cidade que fica próxima a região metropolitana de Porto Alegre.

 

RP: Como e quando decidiu vir para Santa Catarina?
Morongo:
Decidi vir morar em Garopaba após minha formatura em Medicina na UFRGS… isso foi no ano de 1974.

 

RP: Após tantos anos vivendo em Santa Catarina, você se considera um pouco catarinense?
Morongo:
Certamente já me sinto catarinense, inclusive no ano de 2012 recebi o título de cidadão catarinense da Câmara dos Deputados do estado. Anteriormente já havia recebido o titulo de cidadão honorário da cidade de Garopaba.
RP: Como surgiu a vontade de ser médico?
Morongo:
Desde tenra idade me preocupava com o outro… e sentia grande curiosidade sobre como a vida “funcionava”.

 

RP: E quando o surfe entrou na história?
Morongo:
O surf entrou na minha vida durante a adolescência… já haviam algumas poucas pessoas no Rio Grande do Sul que tinham trazido pranchas do exterior… acabei por me envolver com essas pessoas e comecei a praticar o esporte que nascia na praia de Torres ainda nos anos 60.

 

RP: Como ficou a carreira de pediatra?
Morongo:
Na verdade não se deixa de ser médico nunca. A prática não é diária nem em consultório. Mas me mantenho atualizado e sempre que necessário utilizo meu conhecimento médico, inclusive com funcionários e amigos durante viagens, etc.

 

RP: Você teve que escolher entre um e outro?
Morongo:
Não foi exatamente uma escolha. As coisas sempre aconteceram de forma natural na minha vida, e como disse anteriormente… não se deixa de ser médico nunca.

 

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RP: Como veio a ideia de criar a Mormaii?
Morongo:
A Mormaii foi outra obra do acaso na minha vida… quis resolver meu problema para surfar no inverno aqui em Garopaba, então juntei algumas peças, fiz links de materiais técnicos que já havia visto nas minhas aventuras e acabei por fazer a minha primeira roupa de borracha… a Mormaii foi uma consequência disso. Eu sabia suturar e conhecia de anatomia humana por ser médico, também já conhecia o neoprene por sua utilização em outras áreas… o médico virou costureiro de neoprene!

 

RP: Você começou com um produto só?
Morongo:
Exatamente… comecei produzindo roupas de borracha de forma artesanal na minha casa mesmo.

 

RP: E hoje, é você que continua criando as peças?
Morongo:
No início a empresa se resumia a mim mesmo… eu tinha que fazer tudo, era costureiro, atleta, comercial, marketeiro, etc. Hoje tenho atuação direta em todas as áreas da empresa e no que diz respeito a desenvolvimento de roupas, de borracha minha atuação e influência é diária, mas também “belisco” em outros setores.

 

RP: Qual foi o maior desafio encontrado?
Morongo:
Os desafios são diários, não quero ser o empresário chato falando da realidade política e econômica do Brasil. Isso já é óbvio e para mim é papo batido. A jogada é a forma como se encaram os desafios… não dá para ficar reclamando, passando a culpa para o governo ou a economia. Prefiro ter isso como parte do dia a dia, algo natural e que não vou conseguir fugir. Encaramos nossos desafios com coragem e alegria… essa é a diferença.
RP: Qual é o carro-chefe da marca atualmente?
Morongo:
Não existe um carro chefe específico. Alguns produtos se destacam em função da realidade de mercado e consumo, isso é natural. O que temos é um cuidado, melhor dizendo, um carinho especial pelas roupas de borracha que são a alma da marca.

 

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RP: Você imaginava que ia fazer tanto sucesso e a Mormaii ficasse conhecida – e consumida – dentro e fora do Brasil?
Morongo:
Essa resposta é fácil… nunca me passou isso pela cabeça… eu era médico!

 

RP: Qual a sua filosofia de trabalho dentro da empresa?
Morongo:
Somos uma empresa com perfil um pouco diferente. Não temos filosofia específica, a jogada é ser maleável. Temos muitas diferenças dentro da Mormaii por trabalharmos com licenciamento de marca. A ideia é respeitar e nos enquadrar às filosofias dos funcionários e parceiros. Imposição não é o nosso forte.

 

RP: Como você define a máxima “liberdade com responsabilidade”?
Morongo:
Depende de como a pessoa entende o conceito de liberdade e a ideia de que sejamos livres da forma que nos sentimos livres, nunca esquecendo que devemos encarar isso de forma responsável. Temos uma empresa que depende da nossa responsabilidade e a nossa liberdade depende dessa empresa… é uma relação orgânica. Havendo algum desvio exagerado desse conceito de liberdade com responsabilidade o todo sofre! E mais, liberdade sem responsabilidade é libertinagem… outra coisa!

 

RP: Qual é o real conceito da Mormaii?
Morongo:
Somos uma empresa cujos maiores valores buscam aumentar o nível de consciência de todos os envolvidos no processo!

 

RP: Quais são suas expectativas com a nova loja aqui em Joinville?
Morongo:
As expectativas já se tornaram realidade. Esta loja está com a cara nova das lojas Mormaii… é a primeira loja Mormaii no novo conceito e design de loja. O resto, no que diz respeito a resultados, Joinville é uma cidade maravilhosa e progressiva onde não temos muita preocupação com relação  a dar certo ou não. No mais, é questão de trabalho e amor ao que se faz.

 

RP: Como tem sido o retorno dos projetos Destino Azul, Karumbé e Aragua Social?
Morongo:
Os programas com atletas patrocinados nos dão muito retorno de mídia e, como consequência, financeiro. Investimos para isso.  Quanto aos projetos sociais o retorno que queremos não é de mídia e sim de resultados para aqueles aos quais estas ações se destinam.

 

RP: Você ainda se considera hippie?
Morongo:
Assim como médico, você nunca deixa de ser hippie! Claro que hoje sou um hippie mais maduro (risos), só que os valores carrego comigo sim!

 

RP: No que consistia, para o Morongo, ser hippie nas décadas de 1960 e 1970?
Morongo:
Ser hippie naquela época era estar um pouco fora dos padrões. A sociedade era baseada em valores mais rígidos que hoje. Até que com o tempo esses hippies se tornaram pessoas maduras e que nunca deixaram de ser do bem, responsáveis e com valores humanistas… é parte da evolução da humanidade. O que é supostamente diferente assusta no início. Algumas coisas levam anos para serem desmistificadas… mas foi uma época irada, intensa e maravilhosa! São sempre esses jovens considerados “fora dos padrões” os responsáveis pelas maiores mudanças na sociedade em que vivemos. Hoje se fala na geração Y, que é um elefante acelerado mudando tudo por onde passa… cabe a nós absorver isso e acompanhar as mudanças que estão sendo geradas por eles… ir contra e fazer força é ir contra a evolução humana.

 

RP: Você já tinha esse apelido?
Morongo:
Sim… ele me acompanha desde minha infância.
RP: Atualmente alguém te chama pelo seu verdadeiro nome?
Morongo:
Só quando o assunto é sério (risos)… não, dificilmente alguém me chama pelo nome.

 

RP: Entre palestras e dedicação à empresa e família, como fica sua rotina?
Morongo:
A rotina é não ter rotina. Hoje estou aqui na empresa, amanhã não sei, não sou muito adepto a planejamento. Minha vida é cheias de curvas… e isso me tira a possibilidade de ter uma rotina.

 

RP: Você é adepto da alimentação saudável e constante prática de esportes?
Morongo:
Não sou uma pessoa paranoica em relação à alimentação… como aquilo que gosto e gosto de alimentos saudáveis. Mas não que tenha restrições, ou seja lá o que for. Quanto a esportes, tento ser o mais ativo possível. Sempre fui… é parte da minha natureza!

 

RP: Com que frequência você surfa?
Morongo:
Surfo com a mesma frequência das ondas do lugar onde estou… se tem onda, estou surfando!!!

 

RP: Em sua opinião, qual é o melhor lugar para surfar?
Morongo:
Na praia da Silveira, na cidade de Garopaba, que escolhi para viver, criar meus filhos e netos e que fui recebido e acolhido de forma irretocável! Minha casa!

 

RP: O que você gosta de fazer nas horas livres?
Morongo:
Horas livres? O que é isso? Estou sempre em movimento!

 

RP: Seus filhos seguem seus passos no surfe e no espírito empreendedor?
Morongo:
O Sansão (Flavius) surfa sim, surfamos direto juntos, ele passa aqui na empresa para me buscar para o surfe. Minhas filhas são adeptas, mas não “viciadas”. São empreendedores sim… cada um na sua área… cada um do seu jeito!

 

RP: Você se sente realizado hoje em dia, como pessoa e como profissional?
Morongo:
Se isso responde… como empresário sou um médico realizado!

 

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