A voz da Harmonia-Lyra

A voz da Harmonia-Lyra

812
0
COMPARTILHE

Á frente da Sociedade Harmonia-Lyra, o advogado Álvaro Cauduro trabalha para retomar a vida cultural de Joinville através de apresentações, exposições e cedendo o espaço para projetos de diferentes cunhos artísticos

 

Por Marcela Mayrinck Fotos Pablo Teixeira

 

capa01
“É muito importante que o cidadão adquira cultura geral, não se limitando apenas à determinada área de conhecimento”

 

Com formação em Direito e natural de Porto Alegre, Álvaro reside em Joinville há 34 anos e é amante de tudo que é ligado à arte e cultura. Tal gosto é herança de família, uma vez que sua mãe estava sempre envolvida neste meio, prestigiando espetáculos de teatro, ópera e outros tipos de música. Graças a isso, Álvaro sabe tocar piano e outros instrumentos musicais. Afirma que o acesso a outras culturas contribui para o exercício da profissão de advogado: “É muito importante que o cidadão adquira cultura geral, não se limitando apenas à determinada área de conhecimento. No meu caso, ajuda a compreender circunstâncias para atender determinados casos”.

 

Nos rastros da arte
Aos 23 anos, quando já era casado, tinha a primeira filha, esperava o nascimento do segundo e estudava Direito, Álvaro foi transferido para Joinville, onde passou alguns anos prestando serviços para uma instituição financeira. Posteriormente, concluiu a faculdade e investiu na carreira de advogado. Sua afeição pela Harmonia-Lyra foi imediata. Habituado a frequentar eventos culturais com a família, buscava locais que tivessem esse foco e se encontrou ali, onde logo se tornou sócio. Após 25 anos colaborando com a instituição, foi convidado, em dezembro de 2012, a fazer parte da diretoria. Sua resposta surpreendeu: “Falei que toparia desde que implantássemos um projeto de renascimento, ou seja, o reposicionamento da Harmonia-Lyra no papel que ela sempre exerceu: protagonista da cena cultural de Joinville”. Com o apoio dos outros membros, trouxe vários eventos importantes para a cidade e disponibilizou o local a artistas veteranos e principiantes, que podem usá-lo para ensaiar e até fazer apresentações. Em meados de 2014 foi eleito presidente da entidade, onde vem dando prosseguimento a tais propostas.

 

capa03

 

Álvaro observa que Joinville é carente de espaços para manifestações desse cunho e explica a relação que a cidade tem com a cultura: “Joinville se desenvolveu através de pessoas que abandonaram suas pátrias e famílias e vieram buscar vida nova, trazendo na bagagem muita cultura e educação. Eram europeus que reconheciam nesses valores peças fundamentais para o desenvolvimento”. Com isso, segundo ele, o município era cenário para artistas das mais variadas estirpes, fazendo com que a população respirasse arte o tempo todo. “Então”, continua, “com a explosão da economia nos anos 1960, Joinville estava preparada para acompanhar tal desenvolvimento, pois seus habitantes tinham base para fazer com que a cidade crescesse”.
A Harmonia-Lyra já existia há mais de um século e era parte importante de todo esse contexto, tendo sido fundada “com a finalidade de realizar divertimentos e oferecer aos sócios entretenimentos nobres em um ambiente de camaradagem, principalmente por intermédio da cultura da arte dramática”, de acordo com o estatuto de sua primeira diretoria, que estipulava também a ocorrência mensal de teatro, música, dança e canto. Esta prática, porém, se tornou escassa com o avanço econômico e consequentemente tecnológico, pois a televisão invadiu os lares oferecendo entretenimento barato e de fácil acesso. “As pessoas não precisavam sair de casa”, afirma Álvaro, concluindo que tal fator causou um encolhimento da vida cultural e aumento da social, por influência da mídia. Dessa forma, a Harmonia-Lyra foi aos poucos se tornando opção para eventos como festas de réveillon, casamento, entre outros, deixando de lado as apresentações culturais.

 
Até meados dos anos 1980, de acordo com Álvaro, houve um período de estagnação do lazer cultural em Joinville. Porém, chegou-se a um ponto em que a sociedade sentiu a necessidade de retomar esse estilo de vida. Foi então que o atual presidente decidiu investir na arte local e regional, dando mais vida e sentido à construção que hoje conta com 3.800 metros quadrados distribuídos em três andares. “A (Harmonia) Lyra está na memória afetiva das pessoas, que sempre têm uma história boa a respeito do local”, diz.

 

capa02

 

 

 

 

capa04

 

Já era característico do local acolher manifestações artísticas. “A Lyra sempre foi uma mãezona”, brinca Álvaro, contando que o local já contou com a presença de grandes nomes, como a maior soprana do Brasil à época, Bidu Sayão; além de grandes companhias teatrais e musicais advindas dos mais diversos lugares. Agora, com este resgate, o presidente se sente realizado por ter a oportunidade de proporcionar tal experiência aos joinvilenses e reconhece o valor do trabalho das outras gestões: “É relevante ressaltar que as diretorias que me antecederam tiveram grande importância na conservação do patrimônio da Harmonia-Lyra. Graças a isso temos a possibilidade de promover aqui o renascimento cultural”, declara.
Os projetos elaborados por Álvaro têm como propósito expandir o erudito a todas as camadas sociais. Um deles é o apoio à Orquestra da Cidade, formada por jovens de diferentes origens. Ao ceder o espaço da Harmonia-Lyra ao grupo, ele visa colaborar para a formação de músicos profissionais para, em um futuro próximo, ter uma banda formada apenas por artistas locais. Álvaro declara que faz isso com prazer e entusiasmo, abrindo as portas também para o Coral Lírico, da maestrina Fabrícia Piva.  No mês de julho a sociedade sediou o “Noite das Artes”, em homenagem a primeira professora da escola pioneira de balé em Joinville, Liselott Trinks. Ainda este ano o público contou com apresentações do Bolshoi, da Orquestra da Cidade e do consagrado barítono Douglas Hahn que, como atual diretor artístico da entidade tem trabalhado na reinserção de Joinville nos roteiros culturais do país. “Por ser reconhecido internacionalmente como um músico de grande porte, Douglas tem muito a colaborar”, diz o presidente. Por lá também passou o I Briconcello, quarteto lírico de música de câmara.

 

capa05
Mais um exemplo de que a Harmonia-Lyra vem fortalecendo o título de espaço cultural, é a apresentação de ópera da Gala Lírica, no dia 22 de novembro; e para o Natal a Orquestra da Cidade dará mais um show aberto ao público. A Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros também entra na agenda de dezembro, as datas ainda não foram informadas, mas Álvaro revela o mais interessante: “A orquestra dos bombeiros irá se apresentar na parte externa da Lyra, uma maneira de fazer com que mais pessoas assistam, além de valorizar a bela arquitetura do nosso edifício, que servirá de cenário”. A entidade ainda irá receber o inédito Festival de Ópera, em 2015, em parceria com a Fundação Cultural. Há também o constante “Interlúdio Música de Câmara ao Anoitecer”, iniciativa musical que promove apresentações ao final do dia, das 18h30 às 19h30 “para que as pessoas saiam do trabalho e venham, sem precisar ir em casa trocar de roupa ou se arrumar”, descreve Álvaro, cujo intuito é dissociar a ideia de formalidade da arte erudita: “Ela é muito importante na formação cultural e apreciada por mais pessoas do que se possa imaginar. E não é só por uma classe privilegiada, as camadas mais populares também gostam”. A maioria dos eventos é gratuita e em alguns são cobrados valores apenas simbólicos.
Concomitantemente, a Harmonia-Lyra continua realizando eventos particulares como casamentos, jantares empresariais, confraternizações, entre outros. Seu restaurante, considerado dono da melhor cozinha de Joinville, irá reabrir diariamente a partir de próximo ano, assim como o estacionamento com entrada pela Rua 9 de Março.

 

capa06

“A música erudita é muito importante na formação cultural e apreciada por mais pessoas do que se possa imaginar. E não só por uma classe privilegiada, as camadas mais populares também gostam”

 

Tijolo por tijolo
O mais importante da estrutura da Harmonia-Lyra é sua acústica que ainda mantém as características originais. O salão principal, que comporta 650 pessoas, possui forro em cobre e pisos e paredes em madeira, o que dispensa o auxílio de microfone e aparelhos eletrônicos. Tal aspecto é único em Joinville e possibilita maior projeção da voz e dos instrumentos.
Com o passar dos anos, toda a parte interna tem sido renovada pouco a pouco para tornar o lugar cada vez mais aconchegante, bonito e acessível. Como exemplos há o quadro “A Rainha e o Pavão”, obra de Hugo Kalgan que data de 1882; e o piano que foi de Lizelott Trink. Ambos foram restaurados recentemente. Outra importante modificação foi a instalação de uma plataforma elevatória que garante acessibilidade ao salão principal. Ainda há planos para aperfeiçoar todas as dependências, mas sem cessar o funcionamento da casa, razão pela qual a reforma está sendo feita aos poucos.

 

Sobre Álvaro
O empenhado presidente da Harmonia-Lyra é advogado especializado em Direito Empresarial e Direito de Família e atua pela CM&HW Advocacia. Considera-se extremamente feliz por estar engajado neste projeto: “Joinville foi muito boa para mim, me acolheu tão bem e me considero um filho da terra, pois minha família já está na quarta terceira geração aqui. Devo isso à cidade”. Casado com Sheila, curte os filhos Luciana, Guilherme e Bruno e os quatro netos Vinícius, Artur, Bianca e Bruna que são freqüentadores assíduos da sociedade e já estão inseridos na vida artística. “Quero que isso seja para os meus netos e os netos e filhos de todos”, defende Álvaro.купить карандаш полигон александр лобановский дети Soft Компанияпродвижение сайта в регионахраскрутка сайта стоимостьконтейнерtransportation heavyкупить куртку ветровку для мальчика

Sem comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

*